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Reportagens

Mulheres Combatentes

Por Fernando Montenegro      |     21/05/2013 às 13:17

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A sociedade americana tem uma aceitação cultural peculiar sobre o assunto. No Cemitério Militar de Arlington, nos EUA, a alguns quilômetros do Pentágono (Washington, DC), existe uma parte dedicada especificamente à participação das mulheres em conflitos armados. O tema já foi abordado de uma forma romântica em filmes como “Até o Limite da Honra” (G.I. Jane-1997), protagonizado por Demi Moore, “Recruta Benjamim” (Private Benjamim-1980), com Goldie Hawn, dentre outros. Normalmente, busca-se apresentar o sexo feminino em igualdade de condições para desempenhar as atividades de combate.

Estatisticamente, os homens são superiores quando se compara força física e capacidade de transporte para carregar peso. Trata-se de uma diferença fisiológica que não pode ser ignorada. Além de estarem sujeitas ao ciclo menstrual (que interfere também na capacidade psicológica de algumas mulheres), as mulheres normalmente têm 11% a mais de gordura corporal e 8% a menos de massa muscular; lembremos que “o combate não faz concessões”. Esses aspectos influenciam diretamente no cumprimento da missão. Obviamente, isso não quer dizer que não existem mulheres com desempenho melhor do que o de muitos homens.

O regime democrático busca garantir igualdade de direitos a seus cidadãos em todos os aspectos, inclusive na possibilidade de arriscar a vida defendendo seu país. Baseando-se nessa premissa, no final de janeiro, o Pentágono autorizou a participação do sexo feminino nas atividades da linha de frente. A atitude não é pioneira; teoricamente França, Austrália e Alemanha já adotaram essa prática. Além disso, na guerra assimétrica (predominante no contexto atual), a definição georeferenciada do campo de batalha é muito difícil; carros-bombas podem ser lançados em postos de comando, militares são abatidos por snipers em regiões consideradas relativamente seguras e civis são sequestrados por terroristas.

As Forças Armadas Americanas contam com quase 1,5 milhão de militares, dentre os quais cerca de 210 mil são mulheres. Embora ainda não haja mulheres nas tropas de Infantaria, Rangers e Operações Especiais, algumas delas (socorristas, pilotas, mecânicas de aeronaves, dentre outras funções) já vêm participando diretamente das atividades de combate desde 2001.

O Exército Brasileiro incorporou suas primeiras mulheres no início da década de 90, apenas para atividades de apoio e administrativas. Posteriormente, vieram as médicas, engenheiras, veterinárias e enfermeiras. O Exército Brasileiro já forma mulheres no Curso Básico de Paraquedismo Militar e já formou mulheres no Curso de Operações na Selva. A ressalva é que os índices exigidos para elas são bem inferiores aos índices masculinos. Além disso, não há registrada nenhuma participação direta em atividades de combate.

Fazendo uma visualização, provavelmente apenas as mulheres da área de saúde (técnicas de enfermagem e médicas) e de comunicações seriam realmente empregadas na linha de frente. As oportunidades de emprego de tropas brasileiras são raras, tornando difícil ser conclusivo quanto a isso.

Tive a sorte de ter formado as duas primeiras guerreiras de selva do Brasil no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em 2010, quando era Chefe da Divisão de Ensino. Não foi por iniciativa minha, nem criei os índices físicos de admissão; cumpri ordens com muita disciplina intelectual (e ainda era contra, assim como toda a equipe de instrução). Afirmo que os índices físicos exigidos eram significativamente inferiores aos dos homens e, mesmo assim, apenas duas (dentre dez voluntárias) foram aprovadas. Contudo, as duas concluíram o curso, que foi realizado juntamente com 35 homens (que foram aprovados no processo de seleção específico masculino). Quero destacar que as exigências durante o curso foram as mesmas para todos os alunos, e ainda tivemos uma desistência do sexo masculino na segunda semana. O desempenho físico e intelectual delas, como alunas, não deixou a desejar em nada, nem mesmo no peso da mochila.Posteriormente, comandando a Força Tarefa Sampaio na ocupação do Complexo do Alemão (2011) e no Complexo da Penha (2012), empreguei mulheres (policiais militares, dentistas e médicas) no terreno, em apoio aos grupos de combate de Infantaria, para revistar transeuntes em pontos de controle. Nessa ocasião, o seu desempenho foi bastante elogiado.Acredito que deve haver uma exigência igual para ambos os sexos, específica para cada tipo de missão, não só na a

valiação intelectual, como também na psicológica e física. É leviano inserir um integrante despreparado e desqualificado, seja ele do sexo que for, em uma missão de alto risco, apenas para garantir igualdade democrática. Algumas atividades, mesmo para militares qualificados fisicamente, podem gerar também sequelas físicas graves e irreversíveis, como hérnia de disco, por exemplo. Logicamente, poderão existir missões para as quais o perfil indicado seja justamente o de mulheres. Tudo vai depender da situação.

Outro desdobramento que tem criado vários embaraços aos comandantes americanos é o do assédio sexual. Se, por um lado, têm ocorrido inúmeros casos de estupro insolúveis (pela dificuldade de identificação, materialização de provas, dentre outros aspectos), por outro lado, qualquer elogio de um companheiro na mesa do rancho, mensagem de texto, observação em redes sociais ou brincadeira pode ser passível de interpretação e acusação de assédio sexual.

Assim sendo, creio que o assunto vai continuar com o seu processo de amadurecimento e a gestão dos fatos pelos comandantes e assessores jurídicos irá conduzir ao aperfeiçoamento da participação das mulheres nas Forças Armadas ao redor do mundo.

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