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Exército

Um alerta estratégico na preparação para a Copa de 2014 e outros eventos

Por Fernando Montenegro      |     23/06/2013 às 8:39

Desde 12 de junho de 2000, por ocasião da tragédia ocorrida no ônibus 174, no Jardim Botânico no Rio de Janeiro a Polícia militar do Rio de Janeiro não era tão desmoralizada em transmissão ao vivo para o mundo todo.

Naquela ocasião, qualquer pessoa com um mínimo  de conhecimento de negociação/gerenciamento de crise percebe facilmente erros absurdos e gravíssimos na condução de todo o processo. Além de não haver praticamente nenhum isolamento da área e os repórteres ficarem completamente livres para fazerem seus “furos” de reportagem, sem se preocuparem com a interferência ou desdobramento do episódio, não foram cogitadas outras alternativas táticas além da negociação como o uso de agentes químicos, e do sniper. Como se não bastasse, a negociação que deve ser mantida por um expert no assunto, devido a interferência da mídia, foi assumida pelo próprio comandante do BOPE na época e acabou comprometendo o nome da corporação, pois não comandava nem coordenava nada. Tanto é que o militar que “resolveu” atirar fez isso por conta própria.

Na sequência do episódio, vários oficiais do BOPE solicitaram afastamento da unidade que, só recuperou a autoestima, após o lançamento do livro Elite da Tropa e, na sequência, do filme Tropa de Elite.

13 anos depois assistimos ao vivo, policiais despreparados e mal equipados serem espancados por vândalos e saqueadores. Além de não conseguirem preservar o patrimônio histórico, público e privado, tiveram sua integridade física e moral seriamente comprometida.

Os policiais são os menores culpados nesse processo. Num país em que se paga quase 40% de imposto é simplesmente inadmissível que policiais estejam mal equipados, mal instruídos e despreparados para enfrentar uma situação dessa natureza. É fácil deduzir que a gestão de recursos está incoerente.

O Brasil possui uma excelente indústria nacional voltada para tecnologias não letais e de controle de distúrbios, com destaque para a empresa CONDOR. Além disso, o manuseio dos equipamentos exige instrução e prática constante, além de ensaios coletivos. Uma corporação que não investe em reciclagem da instrução fica sujeita a esse tipo de exposição. Na verdade, podemos passar 100 anos sem que ocorram esses distúrbios, mas as Forças de Segurança não podem passar nem um segundo sem estarem preparadas. No momento em que os problemas acontecem não há tempo para desencadear um processo de: aquisições, distribuição, instrução e emprego dos equipamentos.

É sabido por vários especialistas que o típico policial brasileiro contagia-se facilmente pela “síndrome da câmera”. Basta perceber que existe algum repórter fazendo a cobertura cinematográfica da ocorrência que os policiais, em várias ocasiões, iniciam verbalizações, posturas corporais imitando atores de Hollywood, realizando inclusive ações muitas vezes desnecessárias e erradas. Pudemos ver policiais com armamento letal (fuzis) realizando tiros para o alto sem a menor necessidade. Baderneiros, e agitadores profissionais, como muitos dos que lideraram os saques, estão cansados de saber que, depois dos episódios do “Eldorado Carajás” e da “invasão do presídio do Carandiru” o policial tem muito medo de usar armamento letal em controle de distúrbios, sob pena de passar o resto de sua vida explicando judicialmente um possível excesso e ainda correndo o risco de ser condenado.

Cabe, portanto, aos gestores do processo de segurança pública promoverem um resgate de qualidade e autoestima das polícias brasileiras que vá muito além de aquisição de uniformes bonitos. Claro que além de equipamentos, instrução, melhores e salários é essencial que seja revisto nosso código penal. O maior incentivo para os desvios de conduta é a certeza da impunidade. Um número ridículo de vândalos e saqueadores foi preso.

A opinião pública internacional observa com atenção a evolução dos distúrbios e visualiza a possibilidade que voltem a ocorrer com maior intensidade durante a Copa, daqui a apenas 1 ano. Vários turistas passaram por situações de constrangimento ou foram feridos em deslocamentos para estádios, até mesmo viaturas da FIFA foram depredadas e atingidas. Cabe aos gestores do processo tomar providências urgentíssimas para aliviar as tensões sociais e preparar condizentemente as Forças de Segurança que garantirão a tranquilidade dos próximos eventos de grande vulto no Brasil.

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