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Velho de Guerra

O resgate do 270

Por Sergio Capella      |     21/05/2013 às 20:18

270-3

Muita coisa já aconteceu desde o dia 15 de agosto de 2008, por volta das 17:00 horas, quando durante a solenidade de inauguração do I Encontro Nacional de Veículos Militares do Forte de Copacabana, “ganhei” um presente inesquecível e que se Deus permitir, ficará comigo até quando partir desta para uma melhor!

Como é de conhecimento de muitos, sou o Diretor de Relações Públicas do CVMARJ – Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro, e com isso mantenho estreita relação com sócios, entusiastas e amigos, que tem como atividade a preocupação com a preservação de viaturas militares antigas.

Hoje tenho um grande cadastro do pessoal que participa das nossas atividades pela cidade do Rio de Janeiro, e outras próximas, portanto sei quais os veículos de cada amigo e parceiro.

Quando um grupo de amigos se reuniu em um evento que não participei, alguém lembrou que eu, não possuía viatura militar antiga, o que para eles não estava certo, sendo assim foi iniciado um movimento dentro do Clube, no sentido de que uma ação entre amigos, redundasse na compra de um veículo militar, sua recuperação, e posterior entrega como prêmio, pelos “meus serviços e atuação” dentro do Clube, o que modestamente discordo pois, assim como eu, muitos ajudam da forma que podem.

Vale ressaltar que por motivos alheios à minha vontade, realmente, no momento, não possuo meios de comprar e restaurar uma viatura nesta condição, mas que nunca me impediu de realizar a minha tarefa com toda a dedicação e amor pelo nosso Clube.

Dentro de um grande sigilo, no qual todos sabiam menos eu, a viatura foi encaminhada para a oficina do nosso Diretor Técnico José Delatorre, carinhosamente conhecido também como Zezinho, para restauração, e sempre que eu perguntava de quem era a viatura, até para tentar trazer para as fileiras do CVMARJ, o “novo” e “feliz” proprietário, o pessoal desconversava e dizia que era uma pessoa de fora do Rio de Janeiro. Mas, outros amigos começaram a me perguntar sobre o que eu achava sobre o Kaiser M 606, já que dentro do Clube as brincadeiras com “defeitos” e virtudes de cada modelo, fazem parte do nosso dia a dia, eu respondia que o Jeep Kaiser, era uma viatura fantástica e que eu durante minha estada no Exército, tive entre as minhas viaturas, dois Jeeps Kaiser M 606, um com o numeral EB 21-11268, no 2º Pelotão do 3º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, durante os anos de 1974 à 1977, e outro de numeral EB 21-11270, no Pelotão de Manutenção e Transportes, do Esquadrão de Comando e Serviços, durante os anos de 1977 à 1981, todos do 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado, os quais tinha muito carinho, pois sempre estavam em excelentes condições, inclusive o EB 21-11270, era o Jeep do Comandante do Pelotão de Manutenção e Transportes, portanto muito utilizado nos meus deslocamentos e missões. Dizia ainda que durante o meu serviço ativo no 15º R C Mec, a nossa dotação era 52 M 38 e 12 Kaiser M 606. Em função de um acidente, em que um Kaiser M 606, atingiu com o seu estepe, que era localizado na lateral, uma senhora, o nosso Sub-Comandante, Coronel Hildo Vieira Prado, que era um homem da Arma de Cavalaria, mas que tinha no sangue o Quadro de Material Bélico, tomou uma decisão: colocar os estepes e camburões, nas tampas traseiras dos Kaiser, da mesma forma que nos M 38, o que foi prontamente realizado.

Voltando aos dias de hoje, fui acompanhando o serviço de restauração do Kaiser, de quem não sabia o nome do futuro felizardo, inclusive tirando fotos e registrando a transformação do guerreiro!

Cabe o registro de que eu não tinha a menor ideia de que seria possível “ganhar” literalmente um Jeep nas condições em que fui agraciado, e aproveito a oportunidade para agradecer a todos que de alguma forma, tenha sido ela qual for, por esse maravilhoso presente!

Durante a cerimônia de inauguração do evento, eu estava acompanhando o General Juarez, Diretor da Diretoria de Assuntos Culturais do Exército, quando o Conselheiro do Clube, Paulo Eurico solicitou a nossa participação em uma atividade não prevista na programação do evento. Foi quando todos os participantes se reuniram ao redor de um dos quase 90 veículos militares expostos, assim foi feita a entrega do Jeep, que foi um momento maravilhoso e marcante para mim e para os participantes da ação, e que se não fosse eu o “escolhido”, e sim outro companheiro, também estaria junto na empreitada.

O Jeep é lindo, tem cara de mau, é um guerreiro, e neste período, ainda contando com a ajuda de muitos outros amigos, fui aos poucos resgatando a memória do Jeep que era minha viatura de Comando, da qual tenho muito boas recordações, as quais nunca esquecerei em quanto viver! Portanto, o numero escolhido, foi EB 21-11270, e que nas fotos anexas, será mostrada a transformação pelo qual o Jeep está passando, com a finalidade de representar da forma mais fiel possível, uma viatura que utilizei há 27 anos. A única coisa que vou me permitir alterar, será a colocação de um rádio e antena, os quais o Jeep original não possuía, o que era um erro, pois dificultava a comunicação do Pelotão, mas como “tenho” que colocar o galhardete da “Cavalaria” no Jeep, portanto o equipamento fica implantado na sua configuração definitiva.

Embarquei o “270”, para o IV EBVMA, Encontro Nacional de Curitiba, onde junto com outras viaturas vai representar o CVMARJ, neste evento que é referência para todos nós, mostrando que no nosso Clube, a união nos torna cada dia mais fortes, e juntos sabemos quer podemos atingir todos os nossos objetivos. Seguem anexo algumas fotos da “transformação” do meu Kaiser M 606, EB 21-11270, ao longo desses anos.

Em 2011, o Jeep entrou em uma manutenção de 4º Escalão, com uma desmontagem geral, para lanternagem e pintura, assim como revisão em seus componentes mecânicos e elétricos. Em agosto de 2012, voltou as atividades operativas.

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