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Força Aérea

Cenipa divulga anuário do risco da fauna no Brasil em 2013

Por Anderson Gabino      |     02/07/2014 às 18:40

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O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) publicou na terça-feira (01/07) os dados brasileiros de Risco da Fauna de 2013. O órgão recebeu 4600 relatos de ocorrências envolvendo aviões e animais nos diversos aeroportos do país.

O material do CENIPA mostra com riqueza de detalhes os tipos de fauna envolvidos em colisões. Quero-quero, carcará e coruja-buraqueira estão entre as aves que mais foram colididas por aeronaves. As espécies nocivas à aviação brasileira, segundo declaração do Ministério do Meio Ambiente após ser consultado pelo Cenipa, também são destacadas no documento.

A parte da aeronave mais atingida nas colisões em 2013 foi o motor, totalizando 13,5% dos relatos. No entanto, 35,5% dos eventos informados ao Cenipa não continham a parte da aeronave atingida.

A explicação para isso, segundo o assessor de Risco da Fauna, Tenente-Coronel Aviador Henrique Rubens Balta de Oliveira, é o aumento da colaboração de operadores de aeródromos ao informarem eventos em que carcaças de animais são encontradas sobre pistas de pouso e decolagem. “Muitas vezes o avião decola e a tripulação não percebe a colisão.

Por outro lado, o pessoal de solo identifica o animal morto, mas não consegue precisar qual aeronave colidiu com ele, muito menos qual parte foi atingida”, esclarece o Tenente-Coronel Rubens.

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A maioria das colisões ocorreu durante decolagens (25%) e pousos (26%). Isso significa que é preciso aumentar as atividades de dispersão de fauna para reduzir a presença de animais sobre a pista quando o aeródromo está em operação.

A aviação civil enviou 95,23% das fichas ao Cenipa, enquanto a aviação militar, representada pelas três Forças Armadas, enviou 4,77%.

“A aviação civil se envolve mais com a fauna, porque realiza maior quantidade de voos. Já os aviões militares voam menos, mas tendem a sofrer dano mais severo quando atingem aves, em razão da alta velocidade e da baixa altura durante treinamentos, compartilhando o mesmo espaço com as aves que se concentram mais próximas ao solo”, alerta o oficial.

A Região Sudeste, por concentrar o maior número de voos e, consequentemente, maior exposição ao risco, aparece com o maior número de reportes.

Nos gráficos é possível ver os aeroportos, identificados pelos respectivos códigos da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), que relataram mais colisões.

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Dados ajudam equipe dos aeroportos

O Cenipa verifica aumento na participação da comunidade aeronáutica a cada ano, por meio do aumento no número de reportes recebidos.

“Os dados ajudam o pessoal dos aeroportos a identificar as particularidades do risco de fauna, para adotar medidas internas de controle do conflito entre fauna e aviação. Os números mostram aos municípios e autoridades ambientais que o bom uso do solo urbano também é indispensável para reduzir o risco de fauna”.

O número absoluto de colisões associado ao número de movimentos (decolagens e pousos) resulta no indicador de probabilidade de colisões no aeródromo.

No entanto, esse índice não pode ser usado para comparar aeródromos, uma vez que cada local tem sua equipe, suas características ambientais internas e, especialmente, diferentes atrativos ao redor do aeródromo.

“O índice de colisões por 10.000 movimentos (IC10) só mostra onde houve mais colisões informadas ao Cenipa em relação à quantidade de aeronaves que utilizaram o aeródromo, ou seja, caso tenham ocorrido 100 movimentos em um mês e uma colisão, a probabilidade é menor do que se ocorressem 100 colisões no mesmo período no local.

Portanto, o IC10 não é um medidor de probabilidade, a não ser que haja certeza de que todas as colisões foram reportadas – o que é muito difícil de garantir”, afirma o Tenente-Coronel Rubens.

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Banco de dados é fator de integração

O banco de dados nacional de risco de fauna é mantido pelo Cenipa, com informações de avistamentos, quase colisões e colisões com fauna ocorridas nos aeródromos brasileiros e enviadas pela comunidade aeronáutica.

O Sistema Integrado de Gerenciamento do Risco Aviário (SIGRA) serve como fator de integração entre operadores de aeronaves, de aeródromos e controladores de tráfego aéreo, civis e militares.

No mundo, estima-se que a parcela de colisões comunicada aos órgãos responsáveis pelo registro de dados de risco de fauna esteja entre 20% e 40% do número real das ocorrências.

No Brasil, toda colisão com fauna é caracterizada como incidente aeronáutico e deve ser reportada ao Cenipa. As quase colisões e os avistamentos também devem ser reportados por contribuírem para a avaliação do risco e nortearem ações de prevenção.

Veja também dados do risco da fauna de 2009 a 2012.

FONTE : Cenipa

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