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Força Aérea

FAB aguarda perícia para resgatar avião acidentado na Antártica

Por Anderson Gabino      |     07/12/2014 às 12:35

No forte impacto com a pista, um trem de pouso quebrou e um dos quatro motores foi arrancado da asa

Por Guilherme Mazui

Um voo que levava autoridades e servidores públicos para conhecer a área da Estação Antártica Comandante Ferraz quase terminou em tragédia. Ao pousar na Ilha Rei George, o Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) bateu e deslizou na pista. Um trem de pouso quebrou e um dos motores foi arrancado da asa.

O incidente ocorreu na manhã de 27 de novembro, na base chilena Presidente Eduardo Frei Montalva, localizada na mesma ilha em que o Brasil mantém sua estação, destruída por um incêndio em 2012 e substituída por módulos emergenciais.

Dentro da Operação Antártica 33, o voo tinha 50 pessoas a bordo, entre militares e membros dos ministérios da Defesa, do Desenvolvimento e do Planejamento, além de representantes do Tesouro Nacional, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunal de Contas da União (TCU). Um dos passageiros era Sérgio Braune Solon de Pontes, assessor da presidência do TSE (leia entrevista abaixo).

Segundo a Marinha, as idas de autoridades e servidores a estação serve para divulga o trabalho de militares e pesquisadores brasileiros na Antártica, bem como as dificuldades e a necessidade de recursos para operações em uma região tão hostil.

O roteiro de avião começou em Brasília, fez paradas em Pelotas e na Argentina, até Punta Arenas, no extremo-sul do Chile, onde a comitiva embarcou no Hércules. Com o acidente, os passageiros foram socorridos por militares chilenos e regressaram a Punta Arenas após quatro dias de viagem a bordo do navio Ary Rongel, da Marinha do Brasil.

O incidente fechou por alguns dias a pista de pouso da base chilena na Antártica, até a remoção do Hércules. A FAB enviou equipe para Ilha Rei George, que avalia os danos provocados na aeronave. Somente após a conclusão da perícia será possível definir como o avião será resgatado.

Em entrevista ao ZH, o Secretário de Controle Externo da Defesa Nacional do Tribunal de Contas da União (TCU), Márcio André Santos de Albuquerque que estava a bordo do Hércules acidentado na Antártica, relatou os momentos tensos vividos no continente gelado. Veja os principais trechos.

Como foi o acidente?

Eu estava na cabine até uns 10 minutos antes do pouso, quando sentei, coloquei o cinto e fiquei aguardando. O avião arremeteu a primeira vez e voltou para o pouso. Foi um estrondo maior do que o comum, seguido por um barulho de estouro de pneu. Percebi que ele deu um cavalinho de pau, mas sem barulho, pois no gelo a aeronave vai deslizando. Ao parar, pediram para a gente sair do avião.

Vocês perceberam a gravidade do impacto?

O Hércules é um avião com janelas pequenas. É diferente do avião comercial em que você olha para o lado e vê tudo o que está acontecendo. Houve a batida forte e, por incrível que pareça, não teve histeria, ninguém gritando “vamos morrer”. Meu maior medo era não saber se o avião estava na pista ou se tinha caído na água, porque ali é como se fosse um Santos Dumont (aeroporto central do Rio), tudo cercado por água. O avião parou na pista.

Alguém se machucou?

Ninguém se machucou, estavam todos de cinto. Quando saí do Hercules, percebi que um trem de pouso estava quebrado, que um motor foi perdido e que a hélice estava longe.

Houve alerta para risco de explosão?

Pediram para gente sair e se afastar, porque poderia explodir. Em geral, a pessoa desce do avião e fica por perto para saber o que houve, mas os militares disseram que era para sair, porque poderia explodir ou pegar fogo.

Informaram o que ocorreu?

Havia um brigadeiro a bordo, que nos informou que houve uma tesoura de vento, que faz com que a aeronave perca sustentação quando está perto do solo, no momento do pouso. Mas isso foi uma informação do momento, não era fruto de investigação técnica.

Qual era o motivo da viagem?

Ver o trabalho que o Brasil desenvolve lá, mas a gente só viu neve e a base chilena. Nem pinguim a gente viu. É válida essa preocupação da Marinha de levar outras pessoas para Antártica, que não são militares ou pesquisadores. É preciso mostrar para o Brasil o que se faz lá, as pessoas abnegadas que trabalham por seus ideais.

Como vocês deixaram a Antártica?

O acidente foi pela manhã. Depois, fomos levados para a base chilena. Estava muito frio e só conseguimos entrar no navio Ary Rongel pelas nove da noite. Voltamos para Punta Arenas, quatro dias de viagem. Balançou demais, passei um dia inteiro deitado. Escutei que as ondas estariam com cinco metros de altura. Já em Punta Arenas, outro drama, tivemos de esperar das 10 da manhã até as nove da noite para atracar, porque ventava demais. A gente com a mesma roupa há dias, querendo pisar em terra firme.

Como vocês avisaram as famílias?

A preocupação era que o acidente saísse na imprensa brasileira, porque uma TV chilena já havia noticiado. Esse era um drama, pois em Frei não há sinal de celular brasileiro. A Marinha informou meus familiares que eu estava bem e na mesma noite falei com minha a minha mulher.

Fica algum aprendizado?

Estava tudo bem e em questão de segundos o avião ficou parado na pista, o pessoal corria porque poderia pegar fogo. Ensina a valorizar o que temos, a valorizar nossas famílias. Muitos desconhecidos se unem em prol de salvar todo mundo, oferecem o pouco que tem ao outro, há muito solidariedade.

FONTE : Zero Hora

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