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Internacional

Como funciona o sistema de mísseis Buk M1-2 que derrubou o avião da Malaysia Airlines na Ucrânia

Por   

BUK M1

Uma declaração do ministro dos Negócios Internos da Ucrânia, Anton Geraschenko, publicada em sua página oficial na rede social Facebook, afirma que o avião civil da companhia área Malaysia Airlines foi derrubado por tropas separatistas por meio do sistema de mísseis de defesa antiaérea Buk.

Segundo Geraschenko, a transferência do sistema para o local da tragédia, feita por militantes da República Popular de Donetsk, foi testemunhada pela população no início do dia 17 de julho.

Melhor do mundo

Segundo Vladimir Kliútchnikov, doutor em ciências militares, o sistema de mísseis Buk é considerado uma das armas mais eficientes de defesa antiaérea de médio alcance entre todas as existentes atualmente, devido à sua capacidade de atingir um avião localizado a uma altitude de 10 mil metros e mísseis balísticos e aparelhos voadores estratégicos a 18 mil metros.

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O complexo em questão foi entregue às forças armadas da União Soviética em 1979 e desde então faz parte do exército russo, que possui 360 unidades do modelo Buk M2, e do exército ucraniano, que dispõe de mais de 50 unidades do modelo Buk M1-2.

Durante o conflito entre a Rússia e Georgia em agosto de 2008, os Buks comprados da Ucrânia após a queda da União Soviética foram usados para derrubar quatro aviões militares da Rússia. A partir de então, os sistemas não haviam mais protagonizado nenhuma grande operação militar.

O Buk é uma arma bastante complexa composta por cinco ou seis máquinas que, além do próprio sistema de mísseis, incluem uma estação de detecção e indicação de alvos, centro de comando e uma série de equipamentos auxiliares.

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“Mesmo na presença das unidades em operação, as tropas irregulares da República Popular de Donetsk não teriam conseguido usar os Buks para eliminar qualquer alvo”, afirma Kliútchnikov.

Segundo ele, os militantes ucranianos não têm pessoal qualificado que seria capaz de manusear os sistemas complexos, assim como é pouco provável que eles possuam uma estação de localização por rádio em funcionamento. “Também gera dúvidas o fato de os supostos sistemas de mísseis de defesa antiaérea não terem sido usados contra os aviões de assalto SU-25”, comentou Kliútchnikov em entrevista à Gazeta Russa.

Erro fatal

O especialista sugere que, levando em consideração o baixo nível de preparo do exército ucraniano, o míssil que provocou a queda do avião poderia ter sido lançado erroneamente, como já aconteceu com uma aeronave civil da companhia aérea russa atualmente conhecida pelo nome de S7, que, percorrendo o trajeto entre a capital israelense, Tel Aviv, e a cidade russa de Novorossiisk, foi sem querer derrubado pelas tropas de defesa antiaérea da Ucrânia.

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Igor Korotchenko, editor-chefe da revista “Defesa Nacional” e especialista militar, compartilha a opinião do colega. Em entrevista ao vivo a uma emissora de televisão nacional da Rússia, ele sugeriu que o lançamento do míssil foi acidental e não premeditado, pois as tropas e equipamentos adicionais haviam sido transferidos à região da tragédia antes dela acontecer e colocadas no modo de alerta máxima, cujo protocolo inclui os testes de sistemas de defesa antiaérea.

Os testes poderiam ter sido acidentalmente feitos por oficiais com baixo nível de preparo, resultando na queda do avião da Malaysia Airlines. Segundo informações fornecidas pela assessoria de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia, nas proximidades da cidade ucraniana de Donetsk encontram-se os grupos do 156o regimento de defesa antiaérea das Forças Armadas da Ucrânia, que possuem 27 instalações do sistema Buk M1.

Outras versões

Apesar da insistência da CIA, serviço de inteligência americano, a versão na qual um míssil lançado do sistema Buk foi o culpado pela tragédia ainda não foi confirmada. De acordo com outra hipótese apresentada por Vladimir Kliútchnikov, a aeronave poderia ter sido derrubada por um foguete lançado do avião de caça SU-27 pertencente à Forças Aérea Ucraniana, pois os aparelhos de localização por rádio do lado russo não detectaram nenhum míssil vindo da terra.

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Segundo uma declaração oficial do Ministério da Defesa da Ucrânia, no momento da queda do Boeing 777 malaio, não havia nenhum vestígio da presença de aviões de caça da Força Aérea Ucraniana no espaço aéreo do país, assim como a própria aeronave afetada encontrava-se fora da zona de alcance dos sistemas terrestres da defesa antiaérea do Exército Ucraniano.

Além da Rússia e da Ucrânia, as diversas versões do sistema de mísseis de defesa antiaérea estão sendo utilizadas pelas forças armadas da Finlândia, Chipre, Egito, Venezuela e Síria.

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