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Mercado & Indústria

CBC Toma o controle da forjas Taurus em capitalização

Por Anderson Gabino      |     18/07/2014 às 14:18

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Uma consolidação no setor de armas no Brasil, há anos especulada pelo mercado, saiu do papel. A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) atingiu participação de 49,75% no capital da Forjas Taurus e deve ampliar ainda mais a participação, tornando-se sua principal acionista.

O modo como essa fatia foi alcançada, no entanto, promete colocar mais lenha na fogueira que se tornou a relação entre os minoritários da Taurus, entre eles a Previ, e o presidente do conselho e até então principal sócio, Luís Estima.

A tomada de controle ocorreu por meio de um aumento de capital proposto em maio por Estima, à revelia da maior parte do conselho. A capitalização só foi aprovada graças ao apoio da CBC, que tinha pouco mais de 2,6% do capital votante da fabricante de armas à época.

Ao longo de junho, a companhia aumentou sua participação nas ações ordinárias da Taurus para 15,6% por meio de compras em bolsa e de uma fatia do próprio presidente do conselho, cuja participação caiu de 44% para 37% do capital votante.

Na capitalização, que será concluída nesta semana, a CBC atuou praticamente como a única ponta compradora. Aproveitou o baixo interesse dos minoritários diante dos preços deprimidos em bolsa e comprou 75,7% dos papéis ordinários disponibilizados na operação.

Fuzil Taurus

Até o momento, o aumento de capital soma R$ 60 milhões. Cálculos feitos pelo Valor mostram que o valor mínimo para que a operação fosse homologada daria praticamente o controle à CBC, se ela fosse a única compradora.

Essa possibilidade já podia ser antecipada em maio, quando a Previ, com 14% do capital ordinário, anunciou que não pretendia acompanhar a operação, que classificou como “tomada de controle branco”. Outros acionistas, que representam cerca de 30% das ações votantes, estão alinhados ao fundo de pensão e também não entraram na transação.

Acionistas ouvidos pela reportagem avaliam que a operação foi arquitetada por Estima e a CBC para que não houvesse a necessidade de uma oferta para os demais acionistas no caso de compra de mais de 20% da companhia.

O direito é previsto em estatuto, mas há apenas uma exceção, prevista para casos de “atingimento involuntário” de participação, quando os minoritários não exercem seu direito de preferência em uma oferta de ações. Estima afirma que a capitalização visou reduzir o elevado endividamento da companhia e nega relação pessoal ou acordo de voto com a CBC.

O aumento de participação da fabricante de cartuchos na Taurus marca também o retorno de Daniel Birmann a uma empresa de capital aberto.

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A CBC é controlada pelo filho do empresário, que recebeu no começo dos anos 2000 uma das maiores multas já aplicadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e foi inabilitado como gestor de companhia aberta, sob acusação de ter esvaziado o patrimônio da indústria SAM. Birmann tem ainda participação pequena na Taurus como pessoa física e vem participando das últimas assembleias da companhia.

A entrada da CBC na fabricante de armas tem ainda de passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A nova sócia já submeteu a operação ao órgão, num processo que ainda não foi julgado.

Nesse meio tempo, o regulador impediu que a companhia exerça direito de voto nas assembleias da Taurus. As empresas são concorrentes no já bastante concentrado mercado de armas longas.

Segundo apurou o Valor, minoritários pretendem cercar a operação em duas frentes: via processos movidos junto à CVM e ao Cade. Eles não descartam ainda a abertura de um processo de arbitragem para mediar sua relação com Estima e a CBC, que julgam estar exercendo poder abusivo de voto.

Além da capitalização, eles questionam a participação de Estima na venda de uma unidade de máquinas industriais, feita em junho de 2012, e que gerou prejuízo de R$ 130 milhões.

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Um Comitê especial foi instaurado para avaliar a operação concluiu que houve fraude de documentos para maquiar perdas causadas pela operação e não descarta que o presidente do conselho tivesse conhecimento da operação.

FONTE : Valor Econômico

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