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História

Embaixada da Polônia no Brasil inaugura exposição sobre o sofrimento polonês na Segunda Guerra Mundial

Por   Rafael Sayão

Vale à pena lutar pela nossa e vossa liberdade!

Foi este sentimento que a Embaixada da República da Polônia no Brasil, na pessoa da Encarregada de Negócios da Embaixada, Sra. Sra Marta Olkowska, conseguiu transmitir a todas as pessoas que estiverem no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no último dia 03 de setembro, para a abertura da exposição “Luta e sofrimento. Cidadãos poloneses durante a Segunda Guerra Mundial”.

A solenidade, presidida pelo Cel Franz Rommel França do Nascimento, contou com a presença da Sra. Marta Olkowska, Encarregada de Negócios da Polônia no Brasil; do Cel Krzysztof Rojek, Adido de Defesa da Polônia; da Sra. Aleksandra Sliwowska Bartsch, presidente interina da Associação dos Ex-Combatentes Poloneses no Brasil; da Sra. Marianne Fosland, Consul Geral da Noruega; do Sr. Vladmir Tokemakov, Consul Geral da Rússia; do Sr. Hector Valezzi, Consul Geral do México; do Sr. Jean-Paul Charlier, Consul Geral da Bélgica; do Sr. Luis Prados Covarrubias, Consul Geral da Espanha; do Sr. Klaus Zilikens, Consul Geral da Alemanha; e do Sr.  Mauro Band, Presidente da Associação Scholem Aleichem. O veterano polonês do Levante de Varsóvia, Sr. Kryz Glucowski, foi homenageado pelo Exército Polonês e abrilhantou o evento com sua presença.

A Polônia na Segunda Guerra

A Polônia foi um dos países que mais sofreu com a Segunda Guerra Mundial. Na madrugada de 1° de setembro de 1939, uma semana depois da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, o país foi atacado e invadido pela Alemanha Nazista e pela Eslováquia. O Exército alemão empregou suas melhores unidades na “Campanha de Setembro”, engajando em combate 37 Divisões de Infantaria, uma Divisão de Montanha, quatro de Divisões de Infantaria Motorizada, quatro Divisões Blindadas Leves, Seis divisões Panzer, uma Brigada de Cavalaria e outras unidades de menor porte. O episódio que marcou o início da Segunda Guerra Mundial, marcou também o início do sofrimento polaco, agravado pela invasão pela União Soviética em 17 de setembro de 1939. O povo polonês foi massacrado durante os anos de ocupação nazista e mais de seis milhões de poloneses, sendo 95% civis, encontraram a morte. O país, dividido por nazistas e comunistas, tornou-se o epicentro do programa de extermínio de judeus europeus. Situavam-se na Polônia ocupada os principais campos de concentração − Auschwitz, Treblinka, Sobibor, Belzec, Chelmno e Maidanek, de onde apenas 10% dos 3,3 milhões de judeus poloneses conseguiram se salvar.

O Exército polaco, que ficou famoso em algumas fontes, através de sua cavalaria hipomóvel, comandada pelo coronel Kazimierz Mastelarz, que lançou uma carga de sabre contra os modernos blindados alemães, possuía em suas forças uma doutrina militar obsoleta, relíquia de épocas passadas, tornando a tropa pouco eficiente frente ao Exército Alemão. Lutando sozinha, contra alemães e soviéticos, já que foi abandonada pelo Reino Unido e França, que esperavam que a resistência polonesa suportasse o ataque alemão durante alguns meses, a Polônia sucumbiu após esgotar todos os seus meios de defesa.

A brava resistência polonesa

Entretanto, a Batalha de Bzura,  entre as forças polacas e alemãs, demonstrou que a Polônia iria oferecer uma luta heróica de resistência contra os nazistas. O Armia Krajowa (AK), importante movimento de resistência polonesa durante a ocupação, atuou em conjunto com o Governo polonês exilado e o Estado Secreto Polaco (Polskie Państwo Podziemne), durante toda a guerra contra as forças oponentes. No auge de suas forças, o AK chegou a possuir um efetivo 380 mil homens, incluindo 10 mil oficiais. Cerca de 100 mil homens deste efetivo morreram em combate. O auge desta resistência se deu durante o “Levante de Varsóvia”, iniciado em 1 de agosto de 1944, e que tinha como objetivo retomar a capital polonesa e distrair os alemães, enquanto o Exército Vermelho atacava pelo Leste. Contudo, o avanço das forças soviético foi retardado pelos nazistas antes que os mesmos chegassem a Varsóvia. Mesmo tendo dominado os entornos de Varsóvia em meados de setembro, os soviéticos não avançaram em apoio as tropas polacas, pois era objetivo dos comunistas dominarem a Polônia sem nenhum tipo de resistência local. Mesmo sozinhos em Varsóvia, os poloneses resistiram bravamente. Em um primeiro momento, chegaram a obter uma vantagem, conseguindo isolar e comandar partes significativas da cidade. Contudo, já com mais de 15 mil poloneses mortos, o exército alemão reconquistou o domínio em 2 de outubro de 1944.

O Brasil e a Polônia na Guerra

A resistência polonesa contra o Nazismo não acontecia somente na Europa. No Brasil, após o início da Segunda Guerra Mundial, foi criado, com apoio da Cruz Vermelha Brasileira, o Comitê de Socorro às Vitimas da Guerra na Polônia. Vários poloneses que viviam no Brasil se voluntariaram para trabalhar neste Comitê. Além da União dos Voluntários Poloneses da América Latina, foi criada no Rio de Janeiro em 1943, a Casa do Soldado Polonês, que recebeu mais de 550 voluntários dispostos a se juntarem a resistência na Europa. Outros poloneses,  que viviam no Brasil, decidiram lutar contra o Nazismo nas fileiras da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Além de apoiar a resistência polonesa com envio de suprimentos, o Brasil tornou-se o destino de muitos polonses refugiados e que encontram aqui um novo lar após a guerra. Foram estes poloneses que criaram, em 1946, a Federação Mundial dos Ex-Combatentes Poloneses (SPK – Stowarzyszenie Polskich Kombatantów), existente até os dias atuais. O objetivo da instituição é difundir a história daqueles que sacrificaram a vida na luta pela independência da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial. Presidida pelo Tenente Coronel Ignacy Felczak, a SPK realizada anualmente o “Dia do Soldado Polonês”, solenidade onde são depositadas flores na urna do “Soldado Desconhecido”, encontrada no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra ao lado de 466 heróis brasileiros lá sepultados.

Durante a solenidade que inaugurou a exposição “Luta e sofrimento. Cidadãos poloneses durante a Segunda Guerra Mundial”, a Sra. Aleksandra Sliwowska Bartsch fez um discurso que emocionou a todos os presentes. Embora não seja nossa prática editorial a reprodução destes discursos, a beleza do texto nos levou a exceção.

“Tenho a imensa honra de falar em nome da Associação dos Ex-Combatentes Poloneses, representando aqui seu presidente, Sr Ignacy Felczak, que se encontra em viagem à Polônia.

O que teremos a oportunidade de ver na exposição que hoje se inaugura é um DNA raro, cada vez mais difícil de ser identificado em tempos tão fluidos como na atualidade. 

Alguns exemplos permitem ilustrar este DNA tão especial que estou mencionando. Foram heróis aqueles oficiais que a cavalo conseguiram deter por 6 dias os tanques alemães. O próprio Senhor Ignacy Felczak foi um dos mil sobreviventes do total de 45 mil combatentes que iniciaram o levante de Varsóvia, dos quais 25% apenas estavam armados e que libertou por 63 dias Varsóvia em 1944, mas que resultou na morte de 200 mil civis e na destruição, por ordem de Himmler, de 95% da capital polonesa.

Além disso, 2.245 livros editados antes do ano de 1501 viraram cinzas em imensas fogueiras. Segundo Himmler, o levante foi “historicamente uma bênção”, porque serviu como “uma boa desculpa” para a destruicão total da cidade e para execuções em massa.

Foi heroina a sogra do senhor Ignacy Felczak que, na época da guerra, abrigou em sua casa uma menina judia, mesmo tendo total consciência de que, se este “crime” fosse descoberto, todos os moradores de seu prédio seriam metralhados.

Foi herói o padre São Maximiliano Kolbe que, sendo prisioneiro em Aushwitz, ao ver um chefe de família judeu ser levado para execução, ofereceu sua própria vida no lugar de Franciszek Gajowniczek, que viveu junto dos seus até 1995.

Foram heróis os 21 mil massacrados nas florestas de Katyn, em 1940, que se recusaram a aderir à cidadania russa e que, antes de encontrarem a eternidade, foram obrigados a cavar suas sepulturas. Destes, 14 mil formavam a fina flor do oficialato mais patriota polonês.

São milhões de exemplos assim de heróis, civis e militares, que as senhoras e os senhores poderão ver retratados nesta exposição. O soldado polonês deu ao mundo um grande exemplo ao apoiar-se em Deus, com Honra e pela Pátria. Na figura deste soldado estão militares, professores, intelectuais, padres, judeus, ciganos pessoas simples, mulheres, homens e crianças que independentemente de seus ideais ou religião, deram suas vidas para que o horror fosse superado pela esperança, para que a luta pela vida fosse a única batalha realmente válida.

Um olhar sobre capítulos tão perversos de nossa recente história poderia nos encher de amargura, revolta, desesperança, mas estaríamos acrescentando mais uma injustiça. Esta exposição nos mostra exatamente o inverso. Aqui está retratada a crença profunda de que o ser humano ainda é maior do que qualquer barbárie, onde esforços de tantas gerações anteriores não podem ser perdidos, que vale à pena lutar pela nossa e vossa liberdade (lema polonês de muitos séculos), acreditando que o verdadeiro homem é aquele capaz de abrir mão de seus sonhos, lutando para que a paz possa ser o maior legado para as futuras gerações.”

Aos interessados em visitar a exposição “Luta e sofrimento. Cidadãos poloneses durante a Segunda Guerra Mundial” no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, o endereço é Av. Infante Dom Henrique, 75  – Glória. O Horário de visitação é de  terça a domingo, das 9h às 17h.

Fonte | Fotos: Redação | SD Paulo Victor

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