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Exército

CIBLD : O Regime de Utilização Máximo (RUM) e as alternativas de adestramento

Por   

IMG_7633Alex Alexandre de Mesquita e Adriano Santiago Garcia

Com a aquisição das Viaturas Blindadas de Combate Carro de Combate (VBCCC) Leopard 1A5 BR, o Exército Brasileiro firmou um contrato de obrigações referente à manutenção dos índices de disponibilidade com a empresa alemã Krauss-Maffei Wegmann (KMW), algo até então inédito para a tropa blindada.

O contrato instituiu um novo conceito de manutenção e de controle da frota, dentro do denominado Suporte Logístico Integrado (SLI), que estabelece normas entre o contratante (Exército Brasileiro) e a contratada (KMW) a serem seguidas. De acordo com esta nova realidade, uma abreviatura se tornou parte do dia a dia dos Regimentos de Carro de Combate: o RUM (Regime de Utilização Máximo), que impõe limites tanto para as distâncias que cada VBCCC pode percorrer, quanto para o número de tiros que podem ser realizados anualmente.

De início, esta imposição foi um choque, pois era parte da rotina dos Regimentos de Carros de Combate (RCC) o livre trânsito dos carros, tanto no aquartelamento quanto nos campos de instrução e a livre possibilidade de realizar exercícios de tiro. Contudo, o que inicialmente não foi visto com bons olhos pelos pelotões, um impacto na cultura institucional da tropa blindada, veio a trazer muitos benefícios, sobretudo pela maior disponibilidade dos CC.

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Em meados da década de 1990, quando os Leopard 1A1 e os M 60 A3 TTS foram adquiridos, este conceito não foi incorporado. Os CC eram utilizados sem a preocupação relativa às distâncias a percorrer. Quanto ao uso do canhão, os Leopard 1A1 possuíam um limite de tiros a serem realizados, que era registrado por um contador existente na torre.

Voltando aos dias atuais, o SLI prevê, dentro do RUM, que cada carro tem a disponibilidade de percorrer até 230 km por ano, sendo 80 km disponíveis para as atividades da OM, e os outros 120 km divididos entre os grandes comandos enquadrantes, e, finalmente, 30km disponíveis para a manutenção do carro. O Centro de Instrução de Blindados (CI Bld) também opera sob as regras do RUM, contudo os seus limites são dilatados para as atividades de ensino para não prejudicar os cursos ministrados.

As Viaturas Blindadas Especiais Escola, utilizadas exclusivamente para a formação e manutenção dos padrões dos motoristas, também contam com um RUM diferenciado, permitindo que os RCC realizem a instrução de conduta auto com uma carga satisfatória e possam certificar os motoristas já existentes pelo menos duas vezes no ano.

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Nos cinco anos de vigência do SLI, verificou-se que poucos carros da frota atingiram o limite máximo de quilômetros permitido, indicando que esse número, de maneira geral, é compatível, ou se encontra muito próximo das necessidades da tropa blindada brasileira. Com relação ao tiro, a situação é diametralmente oposta. Os carros podem ter um gasto de 1,6 ECM1 , o que se traduz na possibilidade de realização de apenas 8 tiros, com munição de energia cinética e 16 com munições explosivas, anualmente.

Esta imposição, no contexto atual, dificulta a realização de tiros reais pela tropa tendo em vista que exige uma grande quantidade de viaturas nos campos de tiro para atender à tropa, aumentando os custos de transporte de carros e de consumo de combustível.Essa realidade não é exclusividade do Brasil, pois diversas tropas blindadas no mundo estão diminuindo a atividade real de campo por alternativas mais baratas.

Em um primeiro momento, estas restrições apresentaram-se como um problema ao treinamento e ao adestramento das tropas blindadas, pois o paradigma anterior conduzia à conclusão de que somente utilizando os CC seria possível atingir um alto grau de prontidão. Então, como adestrar as frações blindadas com as restrições impostas pelo RUM? O advento da simulação, principalmente da simulação virtual, surgiu como um excelente instrumento para o treinamento e para o adestramento dos militares, reduzindo a quantidade de horas em que o meio real é utilizado.

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A aquisição de simuladores, no mesmo pacote de compra dos CC, e a sua distribuição para as Organizações Militares de Corpo de Tropa (OMCT), além dos estabelecimentos de ensino, tornou a utilização destes dispositivos parte da rotina dos militares. Hoje em dia, as guarnições dos RCC passam uma carga horária extensa nos simuladores antes de utilizar as suas VBCCC, evitando danos causados por imperícia e desperdício de combustível e de munição.

Graças à aquisição destes simuladores, o CI Bld possui hoje um parque de simulação que permite a instrução de seus alunos, que se tornam os multiplicadores do conhecimento nos RCC. Além disso, os equipamentos, as instalações e os instrutores são cedidos aos RCC, para que realizem os seus exercícios virtuais. Esta prática tem se mostrado uma excelente alternativa para o adestramento da tropa, sobretudo dos quadros.

Ficou claro que a simulação é a principal alternativa às imposições do RUM e que a aquisição de uma maior quantidade de simuladores aumentaria as capacidades das OMCT2 . Além da simulação virtual, a aquisição de mais redutores de calibre e da munição 3 adequada para o seu uso e a utilização de DSET4 contribuirão para reduzir os efeitos negativos do RUM.

Simulador KMW

O contrato em vigência com a empresa KMW encerra-se no final de 2016 e a sua revisão e possível renovação já está em estudo. O conceito de RUM deve continuar, pois mostra-se benéfico à manutenção e à extensão do ciclo de vida do Leopard 1A 5 BR. Atreladas ao RUM, estarão as imposições para a instrução e para o adestramento e enquanto não houver uma definição neste quadro, caberá aos Comandantes da tropa blindada, em seus diversos níveis, buscar soluções para gerenciar as restrições e atingir o maior grau de operacionalidade possível de suas frações.

Contudo, ao serem consultados sobre um novo modelo de SLI, os Comandantes deverão pesar as imposições do RUM e os benefícios em manter os CC em condições de uso frente à necessidade PRIMORDIAL de instruir e adestrar a sua tropa. AÇO, BOINA PRETA, BRASIL!

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FONTE : Centro de Instrução de Blindados

Nota da Redação : O autor da matéria Alex Alexandre de Mesquita, é Tenente Coronel de Cavalaria do Exército Brasileiro, Comandante do Centro de Instrução de Blindados, e o 1º Tenente de Cavalaria Adriano Santiago Garcia, seu Instrutor da mesma OM.

Fonte | Fotos: operacional

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