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Exército

O Gepard e o surgimento da AAA no Exército Brasileiro

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Gepard Base de Apoio Log

Por : Mário César Silva Machado, Elisandro R. de Freitas Cunha e Tiago Alvez Ebling

Ao longo da última década, o Exército Brasileiro (EB) vem conduzindo um amplo processo de transformação das suas estruturas e equipamentos. Antes disso, porém, ocorreu a concentração de todos os meios blindados sobre lagartas na Região Sul do País, acarretando na extinção ou na transferência e adequação de diversas unidades.

No que tange à modernização dos Produtos de Defesa (PRODE), a aquisição da Viatura Blindada de Combate Carro de Combate (VBCCC) LEOPARD 1A5 BR dotou os Regimentos de Carro de Combate (RCC) com um meio moderno e de elevada capacidade de sobrevivência frente aos demais meios blindados existentes na América do Sul. Entretanto, a modernização das unidades blindadas não contemplou inicialmente as Baterias Antiaéreas (Bia AAAe) orgânicas das Brigadas Blindadas.

Gepard Base de Apoio Log.2

Na defesa antiaérea (DAAe) das colunas blindadas ainda estavam sendo empregados os mísseis antiaéreos (AAe) portáteis IGLA. Visando adequar a proteção de seus meios blindados e dentro do escopo do Projeto Estratégico Defesa Antiaérea, o Exército Brasileiro adquiriu 37 (trinta e sete) Viaturas Blindadas de Combate Antiaéreo (VBC AAe) GEPARD 1 A2 junto ao Exército Alemão.

Esta aquisição alterou a situação operacional da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, fornecendo a adequada DAAe a estas Grandes Unidades (GU) do Exército Brasileiro contra os possíveis vetores aéreos hostis. A partir do ano de 2013, a chegada da VBC AAe GEPARD à 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea e à 11ª Bateria Artilharia Antiaérea marcou o surgimento da Artilharia Antiaérea Autopropulsada no Exército Brasileiro, permitindo o estabelecimento de uma DAAe compatível em mobilidade e proteção blindada com a tropa apoiada.

Gepard2

O Gepard é uma VBC AAe desenvolvida a partir de 1963, no entanto, a decisão de produzila foi tomada em 1973, com a assinatura de um contrato do Exército da Alemanha com a empresa Krauss-Maffei Wegmann (KMW), para a produção dos primeiros 420 exemplares. Seu chassi é baseado no mesmo das outras VB da Família Leopard 1 e, por isso, torna-se o meio mais adequado para prover a segurança das tropas detentoras deste material. Esta viatura possui dois radares, um para busca de alvos, com alcance de 15 km e outro radar de tiro, com alcance também de 15 km.

É capaz de engajar um alvo a 5 km de distância utilizando dois canhões Oerlikon 35 mm com cadência de 550 tiros por minuto cada arma, totalizando 1100 tiros por minuto. Tem a capacidade total de 640 tiros antiaéreos e 40 terrestres, dos quais é capaz de utilizar as seguintes munições: HEI (Explosiva incendiária), SAPHEI-T (Semi perfurante explosiva e incendiária), APDS-T (Perfurante cinética) e FAPDS (Anti blindagem perfurante cinética).

Munição Gepard3

O Gepard não faz mais parte do inventário de viaturas blindadas do Exército Alemão, mas quando estava em operação, esta viatura era utilizada basicamente em situação de comboio ou em outros deslocamentos, tendo em vista a sua mobilidade e autonomia. Segundo o Tenente-Coronel Blankenburg, instrutor do Exército Alemão no CI Bld, um GAAe Ap (Grupo de Artilharia Antiaérea Autopropulsado) era composto por uma Bateria de Comando e 4 (quatro) Baterias de Combate. Estas eram compostas por 6 VBC A Ae Gepardcom a guarnição formada por 3 (três) militares, sendo eles o comandante, o atirador e o motorista.

Um GAAe Ap era responsável pela proteção antiaérea de uma brigada blindada, seja ela de Infantaria ou de Cavalaria, cabendo à bateria autopropulsada a proteção de uma FT unidade e a uma seção antiaérea (uma ou duas viaturas Gepard) a proteção de uma FT subunidade. Em caso de combate, cada viatura poderia ter até duas guarnições reservas divididas em turnos para dar continuidade ao apoio antiaéreo. Os postos de comando, tanto de Grupo quanto de Bateria, ficavam próximos aos das tropas apoiadas, no entanto ainda estavam subordinados ao Comando da Artilharia.

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Segundo o Manual de Campanha C44-1 (Emprego da Artilharia Antiaérea), no caso de uma defesa móvel, devido às limitações dos meios auto-rebocados, o material autopropulsado é o mais indicado. Neste tipo de defesa a VBC A Ae Gepard se destaca pela sua mobilidade e pela possibilidade de ser agregado ao seu chassi o sistema de mísseis terra-ar, como por exemplo o AM-92 Stinger, o SA-7 Strela, o SA-16/18 Igla e o Mistral, além de ter a capacidade de prover a segurança, no caso de uma marcha para o combate, em direção de 17 km e em largura de 6 km.

As Forças Tarefas Blindadas brasileiras, com a proteção antiaérea provida pela VBC A Ae Gepard, ganham um elemento importantíssimo para o sucesso nas operações e aumentam, ainda mais, o poder de combate da tropa blindada. Como tropa orgânica das Brigadas Blindadas, as Baterias Antiaéreas Autopropulsadas (Bia AAAe AP) são compostas por 4 (quatro) Seções de Artilharia Antiaérea (Seç AAAe), menor Unidade de Emprego de AAAe, sendo constituídas cada uma dessas Seç AAAe por 04 (quatro) VBC A Ae GEPARD.

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Além disso, cada VBC A Ae GEPARD 1 A2 é considerada como Unidade de Tiro (U Tir) com capacidade de, por seus próprios meios, detectar, acompanhar e destruir uma incursão inimiga, podendo ser empregada em operações estáticas ou em movimento, tais como em uma Marcha para o Combate, onde as U Tir estarão desdobradas no interior da coluna de blindados para prover a DAAe da tropa defendida.

Pode-se concluir que a adoção da VBC AAe GEPARD para dotar as Bia AAAe AP proporciona a DA Ae adequada aos meios orgânicos das Bda Bld da Força Terrestre (F Ter), contribuindo também para o aumento da operacionalidade destas tropas de emprego estratégico, no Amplo Espectro das Operações.

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Atualmente estas viaturas estão distribuídas entre a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada (Paraná), a 6ª Brigada de Infantaria Blindada (Rio Grande Do Sul) e a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (Rio de Janeiro), sendo que o ensino de operação é conduzido somente pela EsACosAAe, que é o Berço da Defesa Antiaérea Brasileira e onde são formados os Artilheiros do Primeiro Minuto.

AÇO, BOINA PRETA, BRASIL!

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Nota da Redação : Os autor da matéria, Mário César Silva Machado é Tenente.-Coronel da Arma de Artilharia e Comandante da EsACosAAe contou a colaboração do Capitão da Arma de Artilharia Elisandro R. de Freitas Cunha Instrutor da EsACosAAe e do 1º Tenente da Arma de Artilharia Tiago Alvez Ebling Instrutor do CI Bld.

Fonte | Fotos: operacional

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