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Pesquisadores brasileiros buscam identificar soldado brasileiro morto na 2ª Guerra

Por   Redação

Os pesquisadores e jornalistas Helton Costa e Diego Antonelli estão com uma campanha de arrecadação de dinheiro para tentar identificar o “Soldado Desconhecido”, último brasileiro morto na Segunda Guerra Mundial e que ainda está enterrado na Itália.

A iniciativa é um desdobramento de uma pesquisa que a dupla fez sobre o brasileiro morto em combate em Montese, entre 14 e 19 de abril de 1945, que mesmo com o DNA mapeado desde 2012, não recebeu o interesse das autoridades brasileiras para a questão.

Fontes históricas indicam que se trata de Fredolino Chimango, de Passo Fundo (RS), que servia na 7ª Cia do III Batalhão, do 11º Regimento de Infantaria. Agora, parentes do pracinha foram localizados e a vaquinha tem o objetivo de pagar o uso do laboratório italiano em que será feita a comparação genética. O valor é de aproximadamente R$ 2,8 mil, incluindo custos de envio e materiais de análise.

Para ajudar na vaquinha, basta doar qualquer valor pelo link: http://vaka.me/2111255 ou pelo PIX (42) 99911 1950 (Andressa Beló Costa).

O pesquisador italiano Vincenzo Agostini, da Universita Degli Studi Del Piemonte Orientale “Amadeo Avogadro,” de Alessandria/Itália foi quem fez o mapeamento genético em 2012 e ele se prontificou a fazer a comparação genética sem cobrar nada. Por isso o dinheiro servirá apenas para pagar o material laboratorial e posterior envio dos resultados.

Soldados desconhecidos

Conforme Helton e Diego, a intenção é corrigir uma injustiça histórica e mesmo que os restos mortais não sejam de Chimango, a coleta de material genético da família dele é importante. “Tudo aponta para que seja mesmo o soldado de Passo Fundo. Porém, caso não seja ele, significa que o gaúcho é um dos outros 11 soldados desconhecidos que aguardam até hoje, 76 anos depois, por identificação no Aterro do Flamengo, no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro. Caso não seja ele, doaremos os resultados para as autoridades brasileiras, para que se tiverem interesse, façam as devidas comparações genéticas. No entanto, se for o gaúcho, caberá à família reclamar ou não o translado para o Brasil”, explica Helton Costa.

“A ação solidária é uma forma de reconhecermos o legado de uma pessoa que saiu aqui do Brasil para dar sua vida em nome da liberdade e no combate ao nazifascismo. Nós, como sociedade civil, também precisamos agir na ausência do poder público. É importante para a família e para o país. Os pais e irmãos dele morreram esperando a volta do filho ou pelo menos um corpo para velar. Já está mais do que na hora de nos organizarmos e fazermos nossa parte”, acrescenta Diego Antonelli.

O comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), João Batista Mascarenhas de Moraes também havia feito uma promessa, durante a guerra, de que nenhum brasileiro ficaria para trás. Mascarenhas morreu em 1968, sem ver sua promessa totalmente cumprida.

O achado

O Soldado Desconhecido de Pistoia foi encontrado em 1967, quando um morador local teria contado a localização da tumba para Miguel Pereira, que atuava como guardião do cemitério dos pracinhas na Itália. Ele atuou como soldado durante a II Guerra Mundial e resolveu ficar na Itália após o conflito.

 

“O italiano disse aos militares que, durante uma batalha na cidade de Montese, encontrou um soldado brasileiro morto na mata. Como passava por dificuldades por causa da guerra, roubou-lhe as botas e o relógio e depois o enterrou com a ajuda do pai, em meio a escombros, naquela cidade. A ossada encontrada sob um monte de entulho tinha vestígios de fardamento brasileiro, mas não estava com as plaquetas de identificação dos soldados e nem portava documentos”, escreveu o jornalista Mateus Parreiras, para a Folha de São Paulo, em 2010.

Quem pode ser o soldado?

Como dito, ele pode ser Fredolino Chimango. Pelo menos foi o que defendeu o chefe do Estado–Maior da FEB, coronel Floriano de Lima Brayner. Em artigo no jornal Diário da Manhã, em 16 de abril de 1971, ele disse que não tinha dúvidas quanto à identidade do soldado. “As pesquisas por mim realizadas aqui no Brasil, de vez que não foi encontrada até hoje a placa de identidade do Pracinha, permitem concluir tratar-se do cabo Fredolino Chimango”. Mais tarde, reafirmou a mesma opinião no livro “Luzes sobre Memórias”, de 1973.

Citando o próprio Lima Brayner, a pesquisadora curitibana Adriane Piovezan, no livro “Morrer na guerra: a sociedade diante da morte em combate” (2017), lembra que uma porção de terra do local onde foi primeiramente sepultado o “Soldado Desconhecido” – em Montese – foi doada para a sede do 11º Regimento de Infantaria, em São João del Rei (MG). A entrega ocorreu em cerimonial e o soldado teria sido identificado como Fredolino Chimango.

O 3º sargento da Bateria de Comando da Artilharia Divisionária da FEB, Waldir Merçon, no livro “A minha guerra” (1985), também é categórico ao apontar que o “desconhecido” se trata de Fredolino Chimango.

 

Quem era Fredolino Chimango?

O cabo, que teve mais de dez irmãos, era o filho mais velho do casal Edmundo Chimango e Gabriela Francisca da Silva, todos naturais de Passo Fundo. Fredolino tinha 22 anos quando foi convocado para a guerra e não avisou à mãe sobre a convocação para não preocupá-la.

Ao ficar sabendo, a mãe teve um ataque de nervos. Edmundo, o pai, escreveu para o Ministério de Guerra para tentar trazer o filho novamente para o lar. Fredolino, entretanto, já estava treinando no Rio de Janeiro. A mãe tinha adoecido com a notícia. Era tarde. O pedido foi indeferido e Fredolino seguiu para a Itália.

Em 14 de abril, Chimango estava atacando Montese com seus soldados e companheiros. A companhia dele quase foi dizimada na Cota 831, perto de Montese e na madrugada de 15 para 16 de abril precisou ser tirada de linha e substituída por outra do 6º Regimento.

O 3º sargento Ary Roberto de Abreu, substituto enviado para repor baixas do 11º Regimento de Infantaria, disse ter visto, na madrugada de 15 de abril, Fredolino ajudando na evacuação dos feridos. Ele deu tal declaração no livro “Vozes de guerra”, de Sírio Sebastião Fröhlich (2015).

 

Porém, conforme citação de combate registrada pelo Coronel Adhemar Rivemar de Almeida, na parte de combate do 11º regimento, Fredolino morreu tentando ajudar soldados da Companhia vizinha da dele. Escrevendo sobre os atos dos homens naquele dia, Adhemar anotou: “Destaco entre eles o Cabo Fredolino Chimango, falecido, que com sua peça de metralhadora conseguiu heroicamente atingir e neutralizar uma casamata alemã que ameaçava seriamente o flanco esquerdo da 6ª companhia. Apesar da reação do inimigo, o cabo Chimango só deixou de atirar quando sua arma foi atingida em cheio por uma granada de artilharia que lhe levou a vida”.

O paranaense José Dequech, 2º sargento da Cia de Obuses do 11° Regimento de Infantaria, no livro Nós estivemos lá (1985), contou a história de que um conhecido dele, o gaúcho Waldomiro Antunes de Oliveira, teria encontrado rapidamente o corpo de Chimango e colocado em um lugar reservado para ser coletado pelo Pelotão de Sepultamento.

No entanto, o corpo sumiu. “Os restos mortais do cabo Chimango foram transladados para o Monumento Votivo Militar Brasileiro, em Pistoia, onde foi sepultado com as merecidas honras fúnebres, em uma urna gentilmente cedida pelo governo italiano. Já se passaram todos esses anos e ninguém ainda se empenhou em trazê-lo para o Brasil”, escreveu Dequech.

Dos soldados desaparecidos em Montese, conforme o já citado Lima Brayner, somente um não foi identificado: Fredolino Chimango.

Os pesquisadores

Diego Antonelli é autor dos livros Em domínio russo (2008), Paraná: Uma História (2016) e Vindas: Memórias da Imigração (2018). Já Helton Costa, é autor de “Confissões do front: soldados do Mato Grosso do Sul na II Guerra Mundial (2013), Crônicas de sangue: jornalistas brasileiros na II Guerra Mundial (2019) ( e “Dias de quartel e guerra: memórias do Pracinha Mário Novelli (2021). Helton dirigiu e Diego atuou na parte técnica e de revisão do documentário “V de Vitória: histórias brasileiras”, premiado em 2019 como melhor trabalho sobre a FEB e melhor documentário no ‘Militum 2019 – III Festival de Cinema de História Militar’. Juntos, os dois ainda tocam a página V de Vitória. Helton mora em Ponta Grossa e Diego em Curitiba.

Fonte | Fotos: João Frey | Plural Curitiba

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