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Força Aérea

Reencontro celebra a criação da Aviação de Reconhecimento e Ataque (ERA)

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Há exatos cinquenta anos, nascia a Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque (ERA) da Força Aérea Brasileira, que utilizava as lendárias aeronaves North American T-6 nas primeiras operações aéreas especiais do Brasil. Para resgatar parte dessa história da aeronáutica brasileira e congraçar as novas e as velhas gerações, o Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER) realizou um “Encontro no INCAER” especial, dedicando sua edição 239º ao tema: “Aviação de ataque e reconhecimento – A saga dos guerreiros polivalentes”.

Muitas histórias e emoções foram revividas. Cerca de 150 convidados de diversas localidades do Brasil, entre combatentes da ativa e da reserva, puderam realizar uma volta ao passado e rememorar a história das Esquadrilhas de Reconhecimento e Ataque (ERA), sua evolução para os Esquadrões de Reconhecimento e Ataque e para os Esquadrões Mistos de Reconhecimento e Ataque (EMRA), bem como a criação do Esquadrão Joker, escola de formação desses pilotos fundada em Natal (RN), em funcionamento até hoje.

Além de palestra, uma exposição foi montada no saguão do auditório do INCAER com as bolachas dos antigos esquadrões, quadros, fotografias, diplomas e maquetes das aeronaves; macacões de voo originais, capacetes, coldres e facas utilizadas nas missões; jornais de época, livros históricos e uma linha do tempo em formato eletrônico. Houve também o lançamento de um opúsculo intitulado “Aviação de Reconhecimento e Ataque na FAB, a saga dos guerreiros polivalentes – Nem melhor, nem pior, nem diferente…polivalente”. O registro oficial do registro da Canção do 3º EMRA ao Esquadrão Puma (3º/8º GAV), herdeiro do 3º EMRA, representado pelo Oficial de Operações, Major Aislan Brum Cursi.

Memórias

 O pesquisador aeronáutico e um dos ex-integrantes do EMRA, Coronel Reformado Aparecido Camazano Alamino, apresentou as mudanças dos esquadrões e as operações reais por eles efetivadas. Segundo ele, as esquadrilhas foram criadas para executar operações aéreas especiais como missões de repressão ao contrabando, patrulhamento de fronteiras, campos de pouso clandestinos, destruição de plantações ilegais, combate ao roubo de gado. Como as atividades dos esquadrões estavam sendo implementadas, as missões envolviam muitos riscos, como conta o Coronel Aviador Renato Paiva Lamounier, um dos fundadores do ERA 20, em Santa Cruz (RJ).

“Certa vez, decolamos de Cumbica (SP) para Campo Grande (MT), com a missão de destruir plantações de maconha. Era o ano de 1964. Éramos cinco aeronaves carregadas de napalm. O tempo estava muito fechado e só a aeronave do líder operava por instrumentos. Desta forma, tínhamos que ficar de olho nele para não o perdermos, pois caso isso ocorresse, o elemento ficaria às cegas e não teria como voltar devido às condições meteorológicas. Lembro-me de ter sido uma das viagens mais tensas que já fiz em toda a minha vida. Uma experiência inesquecível”, relembra.

Lamounier participou também da Operação CATRAPO 1, realizada em 1965 na Base Aérea de Santa Cruz (RJ). “Nunca esquecerei de uma das instruções da Operação CATRAPO 1, que consistia em uma missão noturna em que as aeronaves voavam com todas as luzes apagadas. Nessa doutrina americana, trazida pelos pilotos recém-chegados do Vietnã, oriundos do 605th Air Command Squadron Compost, nossa única referência das alas eram as chamas que saíam do motor do avião.

A grande dificuldade era que a pupila dilatada pela escuridão se comprimia rapidamente pela luz do flare utilizado para iluminar o alvo. Após o ataque, quando o flare se apagava, até que nossa vista se adaptasse novamente à escuridão, não víamos nada. Era literalmente um voo às escuras. Essas missões eram muito arriscadas, mas nunca houve qualquer incidente”, relata Lamounier.

Outro que teve a vida por um fio foi o Coronel Francisco José Degrazia Dellamora, um dos responsáveis pela transferência do ERA 1 de Canoas (RS) para o EMRA 1, em Belém (PA). “No ano de 1974, passamos por uma situação muito delicada. Estávamos apoiando uma missão do Exército quando um cabo daquela força efetuou um disparo acidental de fuzil dentro do helicóptero, danificando o sistema hidráulico e o sistema de transmissão da aeronave. Esses são sistemas críticos e, segundo apuramos com um piloto de provas da fabricante do helicóptero, a empresa Bell, em um caso semelhante ocorrido no Vietnã, a aeronave explodiu em dez minutos devido a pressão de transmissão ser zero. Também estávamos com a pressão zero, mas tivemos a sorte de pousar na localidade de Cajueiro, entre Marabá e São Geraldo, após 7 minutos do incidente. Foi uma situação bastante difícil mas, graças a Deus, estamos aqui para contar essa história”, relembra.

O ex-Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos Alberto Baptista, conta que comandava o 1º/14º Grupo de Aviação de Caça quando foi designado para criar o Esquadrão que receberia 16 aviões T-6 que formariam o ERA 51, em 1965. Foi uma missão muito difícil e ao mesmo tempo prazerosa, pois tive apenas três meses para organizar tudo, hangares, salas de comando, operações, sala das esquadrilhas, suprimentos, instrução etc. antes da chegada dos aspirantes.

Foi uma loucura, pois deixei o comando do 1º/14º com o meu Oficial de Operações e me dediquei de corpo e alma à recepção dos novos aspirantes. Quando eles chegaram, tudo estava pronto. Para comemorar, fizemos um voo com todas as 16 aeronaves. Foi muito emocionante. Depois da criação do ERA, voltei a comandar o grupo de caça e meu operações foi designado como o primeiro comandante do ERA 51. Essa recordação trago com muito carinho pois tive a honra de preparar terreno para que o Esquadrão pudesse operar e tudo foi a contento”, relembra oficial-general.

O resgate de uma história

Para o Subdiretor de Cultura do INCAER e idealizador da homenagem, Major-Brigadeiro do Ar José Roberto Scheer, umas das principais contribuições das ERA e dos EMRA foram as missões de segurança interna; a participação no Projeto RADAM e RADAM-BRASIL, que realizou a cobertura da Região Amazônica por imagens aéreas de radar, possibilitando um amplo estudo integrado do meio físico e biótico das regiões abrangidas pelo projeto; a contribuição ao Projeto DINCART (Dinamização da Cartografia), com a finalidade de elaborar cartas de navegação atualizadas de todo o Brasil; e a formação dos primeiros controladores de defesa aérea do país.

“Esse importante capítulo da história da FAB não podia ficar esquecido. Reunir toda essa turma, de diferentes lugares do Brasil para reviver tantas histórias já valeu à pena, quanto mais o resgate da memória para o conhecimento e aprendizado das novas gerações, isso não tem preço”, conclui.

Fonte | Fotos: cecomsaer

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