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História

A intervenção militar de 1964

Por   Sérgio Pinto Monteiro

Há 54 anos a nação enfrentou um período de turbulência político-institucional em que as forças armadas brasileiras foram chamadas a intervir para evitar a instalação, em nosso país, de um regime de governo incompatível com os princípios e valores que forjaram a nacionalidade. A História do Brasil assinala, com  estaque, a decisiva participação dos militares sempre que, por clamor popular e/ou em obediência à legislação, se fez necessária a intervenção das forças armadas para assegurar a integridade e soberania da nação, ou restabelecer a ordem, posta em risco por diferentes cenários. Essa relevante participação remonta ao primórdios da Pátria. Desde as guerras da independência – passando pelo combate aos movimentos separatistas e revolucionários – até a Segunda Guerra Mundial, os nossos militares cumpriram seu dever maior de salvaguardar os melhores e mais dignos interesses nacionais.

É incontestável que, em 1964, uma parcela expressiva da chamada esquerda brasileira, a exemplo da desvairada tentativa da Intentona Comunista de 1935, buscava a implantação, no Brasil, de um regime sindicalista totalitário que, em seguida, evoluiria para o modelo cubano-soviético. A farta documentação existente, praticamente esgota o assunto. Acresce, ainda, com relevância, que vários líderes daquele frustrado movimento já admitiram, pública e explicitamente, tal objetivo. A nação esteve, portanto, muito próxima de ser lançada numa aventura socialista, decadente e totalitária. O movimento civil-militar de 1964, numa eficiente ação contrarrevolucionária, deflagrada com o apoio da esmagadora maioria da população brasileira, derrubou um governo que, sob o domínio da doutrina marxista-leninista, instalava e incentivava a desordem administrativa, a quebra da hierarquia e disciplina no meio militar e a cizânia entre os poderes da república. Os governos militares que se seguiram, proporcionaram ao país um período de comprovado desenvolvimento econômico e que nos conduziu ao regime democrático dos dias atuais, onde não deveria haver mais espaço para sectários e revanchistas de plantão.

O passado é inexorável e sua história, definitiva. Tentar reescrevê-la ao arrepio da verdade, além de impatriótico, é missão impossível. A análise da evolução dos acontecimentos e os registros da mídia da época, aliados à extensa literatura existente e aos depoimentos de pessoas que viveram e participaram daqueles eventos, inviabilizam qualquer tentativa de alterar o óbvio histórico. Certamente essa é uma das principais razões pela qual a população brasileira atribui às forças armadas o maior índice de credibilidade, entre todos os segmentos nacionais que lhe são apresentados.

A intervenção militar de 1964 está novamente na mídia. Como de hábito, sem a isenção que se espera de um jornalismo criterioso e responsável, incapaz de disfarçar sua parcialidade e rancor. As matérias apresentadas, em geral, desprezam um dos princípios elementares de quem narra a história, que é dela não ser juiz. Na visão de Miguel de Cervantes, “o poeta pode cantar ou contar as coisas não como foram, mas como deviam ser; já o historiador, há de escrevê-las não como deviam ser e sim como foram, sem nada acrescentar ou tirar à verdade”. No revisionismo histórico praticado pela esquerda, altamente politizado e ideologicamente contaminado, a verdade, entretanto, é o que menos importa. Na concepção gramscista, ela deve ser relativizada em benefício da “causa”.

A todo o momento aponta-se a necessidade de defender e manter a democracia. Corretíssimo, desde que seja a verdadeira democracia e não esse arremedo em que vivemos, onde a sociedade, perplexa, assiste a decadência dos valores éticos, morais e cívicos que forjaram a nacionalidade, suplantados pela febre do sucesso rápido, do ganho fácil, da vitória do crime e da corrupção, da conquista e manutenção do poder a qualquer preço, num contexto nefasto onde os poderes constituídos parecem dominados pela subserviência e cumplicidade às quadrilhas que se apossaram da nação.

Jamais, na história desse país, se viu tamanha desconstrução dos poderes da república. Políticos, administradores e agentes públicos desdenham, acintosamente, da nossa inteligência, com manobras despudoradas e procedimentos indecorosos. A máquina pública, aparelhada política e ideologicamente, evidencia flagrante incompetência, aliada a um pacto sinistro com a corrupção e a impunidade. Tudo amparado numa ignomínia conhecida como “doutrina do politicamente correto”.

Enganam-se, entretanto, esses criminosos – e maus brasileiros – com a falsa sensação de que o PODER NACIONAL continuará em suas mãos e que a “democracia” jurássica e totalitária que defendem, se perpetuará. O Brasil não é reduto de golpistas, desonestos e despreparados. Somos um povo simples, bondoso, às vezes meio ingênuo, mas PATRIOTA e sempre pronto a defender a grandeza e a soberania do nosso país. Estamos nos organizando. Novas e  importantes lideranças estão surgindo. A sociedade está despertando de um longo pesadelo.

O tempo que se foi é inexorável e sua história imutável. Ao reverso do amanhã, que depende fundamentalmente das nossas ações. Honestidade, honra, dignidade e amor à Pátria não se flexibilizam nem se negociam. A  liberdade e a democracia são valores insubstituíveis. Ao longo da nossa história, muitos derramaram seu sangue – e até mesmo tombaram – em sua defesa. E outros milhões de brasileiros estarão sempre prontos a fazê-lo. O Movimento Civil-Militar, que gerou a  intervenção Militar em 1964, nos livrou do atraso e da destruição como nação democrática, livre e soberana.

“O primeiro dever de um historiador é não trair a verdade, não calar a verdade, não ser suspeito de parcialidades ou rancores”.
(Cicero, Marcus Tullio, 103ac – 43 ac)
 

Sérgio Pinto Monteiro é professor, historiador, oficial da reserva não remunerada do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, da Academia Brasileira de Defesa, do Instituto Histórico de Petrópolis, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, fundador e ex- presidente do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva do Exército – CNOR. O artigo não representa, necessariamente, o pensamento das entidades  mencionadas.

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