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Segurança Pública

Militarização das polícias é mundial, afirma pesquisador

Por   

swatEduardo Geraque De São Paulo

A morte do brasileiro Jean Charles de Menezes nas ruas de Londres em 2005. A ação policial nos protestos no Brasil antes da Copa do Mundo. Policiamento agressivo e militarizado contra manifestantes em cidades como Londres, Toronto, Paris e Nova York. A tese defendida pelo britânico Stephen Graham, professor de Cidades e Sociedades na Escola de Arquitetura da Universidade de Newcastle, é que todos os eventos acima estão relacionados.

Segundo ele, a maior urbanização do mundo está gerando cidades mais desiguais e polícias militarizadas.A morte do brasileiro Jean Charles, por exemplo, ocorreu, diz ele, por causa do uso da tecnologia “shoot to kill” (atirar para matar), desenvolvida para confrontar os riscos de homens-bomba em locais como Tel Aviv e Halifa.

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Leia a seguir trechos da entrevista concedida por Graham, que estará em evento em São Paulo na semana que vem.

Por que as polícias estão mais militarizadas?

Graham – O novo militarismo urbano está relacionado com a maior urbanização mundial. As forças de segurança estão mudando a forma como elas vêm os inimigos. A estratégia para trabalhar com movimentos sociais e políticos, que às vezes são radicais, está sendo repensada. O desafio agora é ter uma estratégia para controlar as cidades.

No início dos anos 2000, as forças de segurança, como as americanas e britânicas, atuaram muito contra vários grupos sociais em cidades como Cabul e Bagdá. Ao mesmo tempo, vimos uma incrível militarização em polícias das cidades de Londres e Nova York. Existe uma paramilitarização ao redor das grandes reuniões de líderes políticos [como as do G-8] e dos grandes eventos políticos, caso da Olimpíada.

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A militarização é um fenômeno mundial?

No Brasil sei que isso é uma grande questão em debate neste momento, por causa da realização da Copa do Mundo [de 2014] e da Olimpíada [de 2016] e de eventos como a pacificação das favelas. Mas é um fenômeno global porque o mundo vem se urbanizando de forma muito rápida. O desafio é dar segurança às elites face aos conflitos não contra outros países, mas contra grupos da sociedade local.

Na prática, qual é a saída para controlar esses conflitos?

Sou um grande crítico da militarização da polícia, mas entendo que há vários níveis de violência em toda a sociedade, relacionados com o funcionamento dos sistemas políticos e econômicos. No caso do Brasil e da América Latina, existe muita violência por parte do tráfico de drogas.

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Não há uma solução simples para isso, mas o grande problema é quando essas ações começam a minar os princípios legítimos da democracia. É importante dizer que nos últimos 50 anos ocorreram mudanças positivas na América Latina. Temos que aprender com isso. A melhor solução é a social e não a militar.

Pelo seu raciocínio, a saída passa por uma mudança cultural ligada à violência. Como fazer essa transição?

A questão é complexa, porque você precisa melhorar o bem-estar de todos, tornar as sociedades mais igualitárias. Processo que nem sempre é fácil porque as elites muitas vezes não querem as mudanças que precisam ser feitas pelo sistema político.

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