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Geopolítica

Líbia pede fim do embargo de armas para combater EI

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O Egito e a Líbia pediram ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que levante o embargo de armas em vigor atualmente contra a Líbia e ajude o governo líbio a formar um Exército capaz de combater o grupo radical Estado Islâmico (EI) em seu território. O chanceler egípcio, Sameh Shoukry, pediu um bloqueio naval que impeça os extremistas de conseguir armamentos.

O ministro de Relações Exteriores líbio, Mohamed Dayri, falou ao conselho após o enviado especial da ONU para a Líbia, Bernardino Leon, dizer ao organismo que o EI somente poderá ser derrotado por um governo líbio unido que tenha forte apoio internacional. “A Líbia precisa de uma posição decisiva da comunidade internacional que nos ajude a construir nossa capacidade militar nacional e isso ocorreria por meio do levantamento do embargo de armas, para que o nosso Exército possa receber material e armas para lidar com esse terrorismo desenfreado”, disse o chanceler líbio.

Seu colega egípcio apoiou a solicitação, pedindo que “medidas concretas sejam tomadas para evitar a aquisição de armas por todas as milícias e organizações não estatais”. O governo líbio tem autorização para importar armas e material militar com a aprovação de uma comissão do Conselho de Segurança, que supervisiona o embargo de armamento ao país imposto em 2011.

Dois dias após bombardear redutos do EI na Líbia, o presidente do Egito, Abdel-Fattahal-Sissi, visitou ontem a fronteira entre os dois países e declarou que pretende adotar retaliações às ameaças dos radicais.

O chanceler da Itália, Paolo Gentiloni, pressionou ontem o Conselho de Segurança a encontrar uma solução política pacífica para pôr fim à crise líbia. Mas, na terça-feira, a ministra de Defesa italiana, Roberta Pinotti, afirmou que proporia ao organismo das Nações Unidas uma intervenção militar na Líbia, com envio de forças terrestres para combater o EI. Roma se ofereceu para liderar o esforço internacional, enviando pelo menos 5 mil homens ao país.

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Eleito em junho, o governo líbio é presidido por Abdullah alThani e conta com reconhecimento internacional. Ele se reúne provisoriamente na cidade de Tobruk, 1,5 mil quilômetros a leste da capital Trípoli.

A iniciativa do Egito ficou evidente no domingo, após militantes com base na Líbia, que juram lealdade ao Estado Islâmico, terem divulgado um vídeo que mostra a decapitação de 21 cristãos coptas egípcios. No dia seguinte, o governo do Cairo bombardeou alvos do grupo radical no território líbio, nas proximidades da cidade de Derna.

A maioria dos países árabes deu respaldo ontem à ofensiva aérea do Egito contra posições do EI. Segundo um comunicado da Liga Árabe, divulgado após uma reunião dos delegados permanentes da entidade, no Cairo, o ataque egípcio foi lançado “em parceria com as autoridades legítimas da Líbia e como resposta ao assassinato terrorista e covarde dos cristãos coptas”. O único país que mostrou reservas no apoio aos bombardeios egípcios na Líbia foi o Catar.

Guerra

Após a deposição e o assassinato do ex-líder Muamar Kadafi, em 2011, a Líbia tem enfrentado lutas entre facções que tornaram o país um território sem lei. Dois governos que têm apoio de milícias brigam pelo controle do país.

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Com base em Trípoli, o Amanhecer Líbio tem entre seus integrantes grupos islâmicos radicais e moderados. Denominada Operação Dignidade, a coalizão que temo apoio do governo reconhecido internacionalmente – que pretende erradicar os radicais – é formada por ex-soldados de Kadafi e combatentes de Zintan, poderosa cidade nas montanhas do oeste da Líbia.

Possibilidade de paz.

Ontem, os integrantes da Operação Dignidade afirmaram que, na terça-feira, realizaram um ataque aéreo que teve como alvo rivais do grupo na cidade de Zintan. Não ficou clara a extensão da destruição causada pela ação, mas o ataque levanta a possibilidade de uma guerra aérea entre as facções líbias – e reduz as esperanças de uma saída negociada para o conflito.

A principal vantagem da Operação Dignidade na luta pelo controle da Líbia tem sido o uso de uma pequena força aérea, composta por helicópteros e caças de fabricação russa que pertenciam ao regime de Kadafi.

Fonte | Fotos: estadao

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