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História

O mais longo dos dias, 6 de Junho de 1944 – o Dia D

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“Os olhos do mundo estão sobre vocês”, disse o general Dwight Eisenhower aos soldados norte-americanos antes de partirem para a Segunda Guerra Mundial e colaborarem com os soviéticos para retomar a Europa ocidental das mãos de Hitler. A mensagem do comandante dos EUA era um incentivo às tropas que desembarcariam no dia 6 de junho de 1944 na praia francesa da Normandia. O desembarque, que completa hoje 71 anos, ficou conhecido como o “Dia D”.

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A invasão da Normandia pelos aliados, foi um dos feitos mais decisivos da Segunda Guerra Mundial, pois chegar à França era absolutamente necessário se os aliados quisessem derrotar definitivamente o III Reich, e para que a missão fosse um exito completo, foi preparado um complexo desembarque anfíbio, combinado com um grande lançamento de tropas paraquedistas .

O primeiro esboço de uma ideia, de um plano de invasão aliado, começou a ser pensado ainda em 1941, quando a Alemanha ainda não tinha atacado a Russia, mas o principal obstáculo era o formidável conjunto de construções defensivas alemãs, conhecidas como a Muralha do Atlântico.

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A baía do rio Sena foi escolhida em Junho de 1943 para ser o alvo do ataque/desembarque, mas posteriormente decidiu-se em alterar o local direcionando-se o objetivo em direção as praias da Normandia e até Junho de 1944 esse seria e foi, um dos maiores segredos militares dos aliados. A opção pela Normandia, foi também condicionada pelo fato dos alemães terem construído as suas mais fortes fortalezas defensivas na região de Calais e de Le Havre, que estavam mais próximas da costa britânica e onde os alemães sempre pensavam que se daria o ataque.

O plano inicial previa que o ataque fosse efetuado com um total de três divisões, mas estudos posteriores efetuados pelo Gen Eisenhower, levaram ele a alterar os números iniciais, aumentando assim seus efetivos para cinco divisões de infantaria e três divisões aerotransportadas. Este aumento do numero de forças de invasão, mostrou-se necessário subtrair lanchas de desembarque que estavam destinadas à operação de invasão ao sul de França.

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O atraso no fornecimento destas lanchas de desembarque e mais uma série de fatores que não ajudava, levou a data da operação fosse marcada para o mês de Junho de 1944. Uma outra das preocupações que os aliados tinham era de fazer com que os alemães acreditassem que a invasão se daria em Calais, para tanto foi a criado uma gigantesca operação de dissimulação, para levar os alemães a acreditarem que o principal ataque dos aliados seria realizado contra a zona de Calais onde a costa britânica era visível a olho nu.

Para que esta ideia tivesse o efeito desejado, os aliados efetuaram pesados bombardeamentos sobre Calais e aumentaram o numero de comunicações naquela região do lado britânico. Foram produzidos milhares de tanques de lona e materiais falsos, para que pudessem ser fotografados pelos alemães que assim chegaram à conclusão de que o ataque de facto ocorreria naquela região.

Blindado Inflaveis

Desconfiança alemã

Do lado alemão, também não havia consenso sobre aonde seria o ataque aliado. Enquanto parte dos generais achava que se deveriam deslocar as unidades alemãs para próximo da costa, outros generais como Guderian queriam que as unidades blindadas estivessem vários quilômetros na retaguarda para poderem dar apoio ao possível local do ataque independentemente de onde este ocorresse.

Hitler determinou então que várias unidades alemãs fossem colocadas longe da costa para ajudar qualquer unidade no caso de um ataque aliado, mas deu ordens para que essas unidades só fossem movimentadas com seu consentimento (um grande erro, que foi comprovado mais tarde). Só Hitler poderia determinar para onde se deveriam dirigir as unidades, principalmente as poderosas divisões Panzer, algumas delas equipadas com os novos modelos Panther e Tiger-B.

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O plano americano

A primeira das operações durante o desembarque, seria a de transporte de soldados, armamentos e suprimentos, e quem estaria comandando esta faina seria o Almirante Ramsey. Ele comandaria e coordenaria a operação da maior frota naval da História, movimentando no dia D navios britânicos, norte-americanos, franceses, poloneses, noruegueses, gregos e holandeses, no total esta frota era constituída por:

6 Couraçados, 23 cruzadores, 104 contratorpedeiros, 152 fragatas e corvetas, 97 draga-minas, 5000 barcos e navios diversos, todo este aparato permitiria desembarcar nas primeiras três marés (um dia e meio) um total de 150.000 homens e 20.000 veículos.

Frota Naval

Os homens e o material, estavam prontos e a bordo dos navios a 3 de Junho, e a operação deveria ocorrer na madrugada de 5 de Junho, no entanto o mau tempo levou a que o desembarque fosse adiado por um dia, e com 150.000 homens a bordo dos navios, a operação tinha que se fazer, ou então teria que ser adiada.

É dada a ordem da missão

No dia 4 de Junho, as primeiras unidades navais saem dos portos britânicos, e dirigem-se para a área “Z” que ficou conhecida como “Picadilly Circus”, mas só na madrugada de Segunda-feira do dia 5 de Junho é que após receber os relatórios da previsão meteorológica, o Gen Eisenhower decidiu-se pelo desembarque para a madrugada do dia 6 de Junho, o Dia D.

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O desembarque seria feito sobre cinco praias da Normandia sobre o nome de Operação Overlord, as primeiras horas antes do começo da invasão pelo mar, são realizadas grandes operações de lançamento de paraquedistas sobre a Normandia, que têm como objetivo atacar a retaguarda das forças alemãs que vão ser atacadas por mar na área do desembarque.

Paraquedistas

Os objetivos conhecidos como GOLD JUNO e SWORD estavam a cargo dos britânicos e a operação decorreu de forma normal. Os britânicos souberam fazer uso adequado dos blindados durante as operações de desembarque e não tiveram problemas até que as principais unidades alemãs na região as atacaram, impossibilitando o seu avanço. Ao contrário, as forças americanas nas praias de UTAH e especialmente OMAHA, depararam-se com grande e feroz resistência alemã, ao ponto de a operação de desembarque em OMAHA quase ter sido cancelada.

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O dispositivo alemão e os erros de Hitler

Em 6 de Junho, o 15º exército alemão que era o responsável pela defesa costeira estava em alerta, mas o 7º exército a grande força móvel de retaguarda, não recebeu qualquer ordem para se preparar. É aliás sobre o VII exército alemão, (especialmente sobre as divisões do 84º corpo de exército) que se vão lançar a esmagadora maioria das forças aliadas. No setor direito, o comandante do 7º exército sabe que conta com unidades de segunda linha muitas delas estáticas, mas que conta também com algumas unidades operacionais.

No flanco direito conta com a sua única divisão blindada a 21ª divisão Panzer, embora esta esteja equipada com uma maioria de carros de combate franceses adaptados para utilização pelos alemães. A alguns quilômetros da 21ª Panzer está a 12ª Panzer SS, e ao sul a divisão Panzer-Lehr.

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Mas esta unidade, como outras tantas unidades blindadas, depende das ordens diretas de Hitler. Só que um contra ataque dependeriam de uma rápida movimentação destas poucas divisões blindadas, e o Gen Erwin Rommel sabia disto, mas ele tinha recebido uma licença para se ausentar e visitar a sua família e encontrava-se na Alemanha nesse dia.

Apelos desesperados

Os generais alemães telefonam para Berlim solicitando reforços para a Normandia e a autorização para movimentar as divisões blindadas, mas durante toda a manhã Hitler está dormindo e nenhum de seus assesores se atreve a acorda-lo. Mas quando Hitler acorda não acredita que esteja perante a principal invasão aliada.

Hitler só acredita em tal siatuação, perante a insistência dos que o rodeia, mas mesmo assim só no inicio da tarde do dia 6 de Junho é que ele autoriza que as duas mais poderosas divisões blindadas alemãs no ocidente da Europa – A 12ª Div. Blindada SS e a Div. Blindada Panzer-Lehr – se movimentem, mas já era tarde, pois os aliados já tinham tomado as praias da normandia.

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Embora de forma titubeante o desembarque prossegui-se, as forças americanas enfrentam uma forte oposição por parte dos alemães, pois a praia de Omaha estava sendo defendida pela 91ª e pela 352ª divisões alemãs, que eram unidades com melhor equipamento e mias experientes. Mas com o apoio das forças aéreas aliadas, foi estabelecido desde o primeiro minuto uma absoluta superioridade aérea. Os caças aliados varreram dos céus a quase inexistente oposição da Luftwaffe.

Quando que no meio da tarde os tanques alemães começam a se movimentar na direção das areas de desembarque, essa superioridade aérea começou a fazer-se sentir. Nessa altura, a força dos carros blindados alemães, sobre testas de ponte que mal se aguentavam nas praias, poderiam ter tido sucesso, mas para isso elas precisavam ter saído das suas áreas de concentração pelo menos oito horas antes. Atrasados pelas ordens de Hitler, os tanques têm que se movimentar sem ter qualquer cobertura aérea. As unidades alemãs são incessantemente atacadas pelos aviões aliados e o seu avanço embora não seja parado, é atrasado.

Bei Villers-Bocage, Panzer VI (Tiger I)

Os britânicos conseguiram efetuar desembarques de uma forma mais organizada que os americanos pois enfrentaram as unidades de segunda linha que defendiam seu setor e foram facilmente derrotadas, mas em contrapartida, serão eles os primeiros a sofrerem com os contra ataques das forças pesadas alemãs. Em favor dos britânicos teve o fato de logo a partir do primeiro dia, terem começado a desembarcar a 7ª divisão blindada, a sua mais poderosa unidade de tanques.

Nos cinco dias seguintes as forças aliadas continuam a aumentar em números de desembarque e de suprimentos, e embora várias unidades alemãs continuassem a manter posições de combate, especialmente as unidades colocadas no setor esquerdo da área do desembarque, elas já não tinham mais como empurrar os britânicos e os americanos de volta para o mar, e a única coisa possível foi resistir e atrasar o avanço aliado.

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Hoje sabe-se que embora o rápido aumento dos efetivos aliados por conta dos desembarques tornaram muito difícil a resistência alemã, mas pelo menos até o Outono de 1944, muitos oficiais alemães ainda mantinham tropas operacionais na região de Calais, aguardando o que esperavam ser o verdadeiro ataque aliado, e este ataque nunca ocorreu.

Como as unidades mais poderosas foram colocadas no setor direito enfrentando assim as forças da Grã Bretanha e do Canadá, os americanos tiveram a vida relativamente facilitada, pois depois do desembarque puderam avançar para sul com mais facilidade, criando para os alemães o problema que constituiu a chamada bolsa de Falaise, onde os alemães tiveram que recuar apressadamente para evitar ficarem cercados. Sendo assim, o desembarque aliado na Normandia fex com que, o tão temido exército alemão começa-se a ruir, e em breve os aliados estariam batendo nas portas de Berlim, pondo um ponto final no que foi o mais longo dos dias.

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Fonte | Fotos: operacional

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