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Exército

Ataques de bandidos causam terror na “Corrida da Paz”, entre os Complexos da Penha e do Alemão

Por Fernando Montenegro      |     30/05/2013 às 8:21

Um dos ditados bastante conhecidos entre os militares é “ o preço da liberdade é a eterna vigilância”. A Corrida da Paz, saindo do Complexo da Penha e chegando no Complexo do Alemão foi iniciativa da Força de Pacificação, integrada pelos militares do Exército, durante os 19 meses em que a área ficou sob responsabilidade do Ministério da Defesa, no convênio criado por solicitação do Governador do Rio de janeiro, Sr Sérgio Cabral. É impossível ter controle pleno de uma área com 16 Km de perímetro que concentra uma população aproximada de 400 mil pessoas, com uma geografia extremamente complicada, decorada por construções totalmente assimétricas e incontáveis becos e vielas.  Entretanto, creio que a diferença na forma de trabalhar pode ter aberto oportunidade para que os bandidos entendessem que valeria a pena correr o risco. Nas duas primeiras edições o Exército não teve problemas.

O regime de trabalho das tropas do Exército era completamente diferente. A Força de Pacificação era comandada por um general de Brigada que tinha seu Staff composto de oficiais superiores e assessores jurídicos, além de médicos, ocupando uma base no Complexo do Alemão, na antiga fábrica da Coca-Cola. Cada um dos complexos ficava sob a responsabilidade de um coronel que comandava uma Força-Tarefa valor batalhão, com aproximadamente 850 militares. Além disso, havia um Esquadrão de cavalaria, com cerca de 90 homens, que consistia na reserva e tinha subordinação direta ao Gen. O efetivo da tropa era dividido em 4 e tinha um sistema de rodízio peculiar. ¼ estaria sempre em arejamento, fora da área de operações, normalmente por 2 dias, além de ½ jornada para saída e ½ jornada para retorno; totalizando 3 dias fora. ¼ estaria em operações, ou trabalhando em atividades logísticas, tropas operacionais permanentes no terreno consistiam em 100 homens 24h por dia na rua em cada um dos Complexos. ¼ estaria de sobreaviso, sempre em condições de atuar e o último ¼ estaria descansando. Os turnos de trabalho eram de 6 horas. Isso significa que os militares que iam para a rua permaneciam no sol, na chuva e/ou na madrugada de pé com o colete e todo o equipamento todo o tempo. Patrulhas incontáveis buscavam asfixiaras atividades do tráfico. No caso de eventos extras, pelo menos o pessoal de sobreaviso cerrava para a rua e participava das atividades, chegando a trabalhar 12 seguidas.

Se os militares tinham direito a 3 dias fora de operações, é porque haviam passado pelo menos 6 dias morando na base.

Uma Força tarefa ocupava o Parque Ari Barroso, na Penha e a outra, compartilhava as instalações da Antiga fábrica da Coca-Cola com o Staff do Gen e o Esquadrão de Cavalaria. Outra grande diferença é que o Gen Cmt da F Pac, todo seu Staff de oficiais e os dois coronéis Cmt de Força Tarefa valor batalhão também moravam nas instalações durante a Pacificação, no mesmo regime que a tropa. O trabalho era ininterrupto, 24h por dia. Ninguém cumpria expediente e ia embora para casa.

O regime de trabalho das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) é completamente distinto. O regime de trabalho dos policiais seria exatamente o inverso. Para cada 4 policiais 1 estaria trabalhando e os outros estariam fora. Trabalham num regime de 24h por 72h de descanso. Ninguém precisa ser um gênio da Matemática para perceber que nunca conseguiriam ter o mesmo efeito de MASSA que o Exército, mesmo afirmando que colocaram 400 homesn a mais na área. Além disso, em 90% das vezes, o militar mais antigo presente será um 1ºtenente.

É bem verdade que as ações que ocorreram no evento visavam apenas promover uma instabilidade e insegurança. Não houve confrontação por falta de poder de combate dos traficantes. Traficantes cariocas tem empregado constantemente técnicas, táticas e procedimentos de guerra irregular. O recrutamento de militares ou ex- militares com treinamento diferenciado é uma realidade que ocorre a cerca de 3 décadas, nesse universo incluem-se paraquedistas, fuzileiros navais e ex integrantes de contingentes do Haiti. Um dos fatores levados em conta para a transferência do 1°Batalhão de Forças Especiais do Exército foi o recrutamento de Cabos e Soldados Comandos para o tráfico. Algumas fontes afirmavam que, no final da década de 1990, ofereciam aos Comandos o salário inicial de R$10.000,00 para treinar bandidos e coordenar a segurança do Chefe do tráfico. Cabe rever o efetivo a ser usado nas UPPs ou o regime de trabalho e a desmobilização dos integrantes de tropas com treinamento diferenciado.

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