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Geopolítica

Cooperação do SOUTHCOM estimulou resposta ao terremoto no Haiti

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A resposta internacional ao terremoto no Haiti foi o tema do seminário Desastres de Larga Escala e Emergências Complexas realizado de 27 a 29 de janeiro no Colégio Interamericano de Defesa (IADC) de Fort McNair, em Washington, D.C., capital dos Estados Unidos. “Quando um desastre natural ocorre, todos nós trabalhamos juntos para reerguer o país”, disse a Contra-Almirante Martha Herb, diretora do IADC, no início do seminário de três dias.

Amizade militar facilita rápida resposta humanitária

Em resposta às terríveis perdas que o Haiti sofreu em questões de minutos, a comunidade internacional e representantes militares e das polícias de 55 países participantes das missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) rapidamente se mobilizaram para prestar ajuda e evitar mais mortes.

O Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) estabeleceu a Força-Tarefa Conjunta-Haiti (JTF-Haiti) para liderar a Operação Resposta Unificada à crise humanitária e alavancou as relações já construídas para obter sucesso nos esforços de ajuda humanitária no Haiti. “Nossa amizade realmente afetou a capacidade de trabalhar juntos no Haiti rapidamente”, disse o General de Divisão da reserva do Exército dos EUA Ken Keen, que comandou a JTF-Haiti, foi subcomandante do SOUTHCOM e estava no Haiti na hora do terremoto.

“Neste caso, fomos capazes de reconhecer que o que tentávamos fazer era salvar vidas e mitigar o sofrimento do povo haitiano.” Ele se valeu extensivamente de sua amizade com o então comandante da Força da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), o General de Divisão da reserva do Exército do Brasil Floriano Peixoto, com quem participou de anos de intercâmbio militar cooperativo entre Brasil e Estados Unidos.

Ambos os generais lembraram da resposta internacional no Haiti durante o seminário, quando apresentaram um painel sobre o esforço de resposta à tragédia.

A importância de amizade entre os militares

Programas como o do IADC, cuja turma atual inclui 63 militares e acadêmicos de segurança de 14 países, fornecem a oficiais das forças armadas de diferentes nações a oportunidade de aprenderem juntos e estabelecerem relacionamentos. “Acredito que o sucesso de que desfrutamos no Haiti, em nível tático e operacional, foi por causa de locais como este, dos relacionamentos que desenvolvemos em salas de aula como esta”, disse o Gen Div Keen.

Falando aos alunos e convidados do IADC, o Gen Div Peixoto disse que as regras do pessoal militar que atua em missões de socorro em um país estrangeiro são muito claras e baseadas em acordos internacionais. No entanto, a urgência da situação exigiu a flexibilidade para acelerar o fluxo de esforços de socorro para os sobreviventes do terremoto haitiano.

“Embora houvesse um acordo assinado entre o embaixador dos Estados Unidos e o chefe da missão, não pensamos muito nisso”, disse Peixoto. “A parceria que estabelecemos foi estruturada em nossa longa amizade.” Gerenciar a chegada de grandes quantidades de suprimentos de socorro e trabalhadores e associá-la à enxurrada de solicitações de ajuda foi o maior desafio. “Não havia coordenação nas primeiras duas semanas e nós [pessoal militar] estávamos muito preocupados”, contou Floriano Peixoto.

Coordenação militar de atividades de socorro

Para trazer ordem ao caos, o Gen Div Peixoto e seu pessoal desenvolveram uma central para canalizar todas as atividades de socorro, que incluiu integrantes de cada grande agência parceira. A estrutura foi chamada de Centro-Tarefa de Operações Conjuntas e tornou-se um modelo que oficiais da ONU buscaram reproduzir em outras grandes respostas a desastres em outras partes do mundo.

“Nós desenvolvemos capacidades que podem ser usadas em terremotos futuros e outros eventos”, disse Peixoto. “Foi uma grande oportunidade para mostrar que duas entidades diferentes podem trabalhar juntas e dar ao mundo um grande exemplo de parceria.” Como chefe das forças dos EUA sob a JTF-Haiti, Keen encarou seus próprios desafios ao equilibrar responsabilidades de duas autoridades civis diferentes:do embaixador dos EUA no Haiti e a do chefe da agência de socorro, a Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA.

“Minha pergunta para eles era: que autoridade tenho para interagir com os moradores do Haiti?”, relebrrou o Gen Div Keen. A resposta ajudou a guiar as ações do Gen Div Keen de forma que elas respeitassem a sensibilidade política em certos casos, enquanto lhe garantiam mais autonomia em outros, para acelerar os esforços de socorro aos mais necessitados.

Ambos os militares reconheceram que, embora suas ordens viessem de autoridades civis acima deles, as necessidades e solicitações do povo haitiano vinham primeiro. “Nós não fizemos praticamente nada sem antes obter a opinião dos haitianos”, disse Peixoto. Durante o seminário, vários alunos do IADC do Haiti ouviram atentamente a discussão em aulas sobre a resposta internacional e formas de melhorar os esforços no futuro.

Marc Justin, comissário sênior da Polícia Nacional do Haiti, disse que o país caribenho está mais bem preparado agora para lidar com um desastre natural do que em 2010, em parte graças à cooperação de parceiros estrangeiros como o SOUTHCOM. “Temos grupos em todo o lugar para treinar o povo”, disse Justin. “Com parceiros estrangeiros, precisamos que o SOUTHCOM ajude em termos de prática e exercícios.”

Mas ele observou que as várias forças de segurança do Haiti ainda encaram uma situação difícil para se organizarem internamente e realizarem exercícios de treinamento em conjunto necessários para provar a prontidão operacional do país. “Se nunca treinarmos juntos e não estivermos prontos, será um fiasco”, disse Justin.

As forças policiais do Haiti desempenharam um papel importante na resposta ao terremoto ajudando o efetivo militar internacional a avaliar a situação, segundo análise do Gen Div Keen. Particularmente, ele elogiou os esforços do chefe da polícia na área de Cité Soleil, que perdeu dezenas de oficiais no terremoto.

“Minha esposa e três filhos morreram no terremoto”, disse o chefe de polícia durante o seminário. Desastres naturais afetam toda uma população, inclusive membros das forças de segurança que são necessários para o esforço de recuperação. “É preciso liderança para seguir em frente”, disse Keen. “No Haiti, não se tratava de ganhar crédito por algo que havia sido feito, mas como trabalhávamos juntos para fazer a diferença.”

Atualmente, Ken Keen serve com reitor adjunto de Desenvolvimento de Liderança na Faculdade Goizueta de Administração, da Universidade de Emory, em Atlanta, Geórgia, EUA. Já Floriano Peixoto é consultor especial da ONU em seu Painel Independente de Alto Nível sobre Operações de Paz e Missões Políticas Especiais.

Fonte | Fotos: dialogo

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