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História

Os 70 anos da bomba de Hiroshima: Conheça a história do Projeto Manhattan

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Dez ganhadores do Prêmio Nobel — sete deles então já premiados — reunidos com centenas de outros cientistas num projeto supersecreto e ultra fragmentado com o objetivo de trazer a paz. Como? Desenvolvendo e fabricando a mais devastadora arma já conhecida, a bomba atômica. Era essa a razão de ser do Projeto Manhattan, assim batizado, sem muita criatividade, por ter começado na ilha nova-iorquina.

Mas logo a força-tarefa internacional se espalharia pelos Estados Unidos, criando cidades do nada, contratando milhares e correndo contra o tempo. Havia razão para pressa. E quem disse isso foi nada menos que o gênio Albert Einstein, em carta ao presidente Franklin Delano Roosevelt. “Alguns aspectos da situação que emergiu parecem exigir vigilância e, se necessário, rápida ação”, escreveu em 1939.

Os Homenes por tras da bomba atomica

A “situação” foi a evolução da pesquisa da radioatividade, que desde o início do século desbravava o mundo dos átomos — com contribuição do próprio Einstein — e, em 1938, chegaria a um ponto-chave. Os alemães Otto Hahn e Fritz Strassman, seguindo experiência do italiano Enrico Fermi, conseguiram a cisão do núcleo de urânio — ou dividi-lo em dois. A austríaca Lise Meitner e seu sobrinho Otto Frisch mediram a intensidade da energia emitida na operação. Era o embrião da bomba, embora as pesquisas tivessem buscado, no início, usos pacíficos.

Hitler tinha matéria prima

O físico húngaro Leo Szilard, que ajudou Albert Einstein a escrever a ‘carta-bomba’ a Roosevelt, tinha certeza de que Adolf Hitler estava desenvolvendo uma poderosa arma a partir das pesquisas sobre radioatividade. E o sucesso do Führer, que estava apenas iniciando sua brutal expansão pela Europa, seria fatal para as ambições do Ocidente.

Contribuiu para a convicção de Szilard a interrupção da exportação de urânio das minas da Tchecoslováquia, então invadida pelas forças nazistas, para as fábricas de cristal da Boêmia — letreiros luminosos também consumiam urânio. Para o húngaro, era um sinal de que o Terceiro Reich estava estocando o minério para mais pesquisas.

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Foi Szilard quem insistiu no alerta ao governo americano. A única maneira de deter Hitler, na sua visão, era construir a bomba primeiro. E pediu ajuda a um amigo judeu, Alexander Sachs, conselheiro de Roosevelt.Ao ler a correspondência, o chefe da Casa Branca prontamente mandou reunir um colegiado de notáveis para bater o martelo. Em 1940, nascia o Projeto Manhattan.

A iniciativa só foi possível graças ao envolvimento de homens que conseguiram fugir dos regimes totalitaristas que assolavam a Europa. Szilard foi um deles. Enrico Fermi, outro — e deve o feito ao Nobel. Numa raríssima quebra de protocolo, o italiano fora avisado com antecedência de que ganharia a láurea pelos avanços na física. Era, na verdade, uma estratégia para arquitetar o exílio para os Estados Unidos. Pediu autorização ao governo para viajar a Estocolmo, mas levou a família toda para as bases do Projeto Manhattan.

A missão valeu o risco. Somente Fermi tinha o conhecimento necessário para tocar o projeto em tempo hábil. E em três anos sua equipe dominou a tecnologia do átomo, algo impossível se Fermi não a liderasse.

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Muito dinheiro e paranoia

Gastaram-se robustos US$ 2 bilhões (ou quase R$ 90 bilhões no câmbio de hoje) no monumental projeto. Cidades com dezenas de milhares de pessoas brotaram no meio do deserto em questão de dias, como Hanford, numa gigantesca e ultra fragmentada linha de produção, onde o segredo era fundamental.

Era preciso uma rigorosa disciplina militar, e quem a implantou foi o general Leslie Groves. Ele convocou o físico Robert Oppenheimer para chefiar a ‘parte científica’ dos trabalhos e baixou um padrão minucioso: dividiu as quase 130 mil pessoas das 30 instalações em grupos e proibiu qualquer tipo de contato entre eles (o que, para pesquisadores, era um tiro no pé, e Szilard foi um a desrespeitar as normas). Toda a comunicação era em código.

O sigilo e a omissão de informações eram tais que muitos empregados — como telefonistas — só descobriram para quem trabalhavam e com qual objetivo anos depois, ao ver fotos de arquivo. Sob esse anonimato muito bem engendrado, construíram-se laboratórios e usinas de enriquecimento; implantaram-se quilômetros e mais quilômetros de ferrovias.

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O grupo avançava rápido. Mas, à medida que se aproximava da bomba, o moral se esvaía — porque a verdade aparecia cada vez mais nítida no horizonte. Na Europa, Hitler começava a enfrentar revezes, como a resistência soviética, deixando claro que a Alemanha não tinha a mesma capacidade para desenvolver ogivas — contrariando a previsão de Szilard.

O teste definitivo da bomba atômica aconteceu nas primeiras horas de 16 de julho de 1945 em Alamo gordo, no Novo México. Longe dali, mas quase na mesma hora, o presidente Harry Truman chegava a Potsdam para, ao lado dos vencedores da guerra na Europa, impor as sanções à Alemanha — que havia se rendido dois meses antes. Situação bem diferente da do Japão, cujo Exército vendia caro a rendição de ilhotas. Era um banho de sangue sem data para terminar — salvo uma surpresa.

E ela veio na forma de uma luz seca e intensa, seguida de uma onda de choque potentíssima — que Fermi calculou ser de pelo menos 10 quilotons só de ver o deslocamento de papéis no chão — e de um calor incomensurável. Euforia? Festa? Oppenheimer bem que tinha captado o teor do que estavam parindo, ao se lembrar, num misto de ironia, resignação e perplexidade, de versos hindus: “Eu me tornei a morte / destruidora de mundos.”

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Mas não havia tempo para sentimento. Confirmado o potencial devastador da bomba do Projeto Manhattan, carga especial foi embarcada no mesmo dia no USS Indianápolis, cruzador que partiu de São Francisco com destino às Ilhas Marianas. Estava decidido o primeiro ataque nuclear a alvos civis da história.

FONTE : Jornal O Dia

 

Fonte | Fotos: operacional

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