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Monday, 17 de June de 2024
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Curso de Medicina Operativa prepara militares para atuar em Operações de Paz da ONU

Marinha

Em 2022, o Brasil recebeu uma certificação inédita da Organização das Nações Unidas (ONU) para participar de missões de paz, elevando a capacidade da tropa da Marinha do Brasil (MB) para o nível 3. Esse fato ampliou ainda mais a necessidade de atuação e capacitação das ações de Medicina Operativa, já que ela está presente nas operações navais, calamidades públicas e missões humanitárias e de paz.

A Medicina Operativa é um segmento da área de saúde que tem como propósito assistir os indivíduos em operações militares, em ambiente crítico ou de combate, onde os recursos humanos e materiais – tais como suprimentos, tempo, local, condições climáticas e epidemiológicas – podem estar significativamente restritos ou adversos. Ela é baseada em princípios, técnicas e conhecimentos estabelecidos pela assistência de saúde em geral, porém adaptada às peculiaridades da vida militar.

Sua capacidade de atuação é bastante abrangente, podendo ser aplicada em todos os ambientes onde operam militares da MB, como lembra o Diretor do Centro de Medicina Operativa da MB, Capitão de Mar e Guerra (Médico) Kleber Coelho de Moraes Ricciardi. “Estamos em terra, no ar e no mar; acima e abaixo da linha d’água; nas Operações de Paz e humanitárias; no apoio às situações de desastre; além de nos mantermos sempre presentes no continente antártico”.

Curso Especial Unidade Médica Nível II
Hoje, data em que é comemorado o Dia do Médico, destacam-se as peculiaridades e características próprias do médico no ambiente operacional. Esse profissional necessita de uma formação militar adequada às funções a qual precisa desempenhar e que difere da medicina comum praticada no dia a dia dos hospitais, devendo também estar apto a atuar e sobreviver em ambientes hostis, reagir rapidamente contra fogos e explosivos, orientar-se no terreno, entre outros desafios.

Com o objetivo de capacitar pessoal em atividades de saúde para atuar em Operações de Paz da ONU ou em resposta a desastres e em operações de ajuda humanitária, é realizado pela MB, anualmente, o Curso Especial Unidade Médica Nível II. Anteriormente realizado como adestramento, após reformulação, o curso teve sua primeira edição em 2019.

O propósito do curso é preparar Oficiais e Praças da MB, das Forças Armadas e Forças Auxiliares para o desempenho de funções técnicas como integrantes de uma Unidade Médica Nível Dois, ativada em apoio às Operações de Manutenção de Paz (OMP) da ONU, à resposta em desastres e às operações de ajuda humanitária provendo, assim, assistência e serviços de saúde adequados e integrados, salvaguardando a vida humana.

O curso, com duração de aproximadamente um mês, possui parte teórica e parte prática e inclui atividades como natação utilitária, sobrevivência básica na selva, Unidade de Treinamento de Escape para Aeronaves Submersas, atendimento pré-hospitalar, entre outros. A Primeiro-Tenente (Médica) Noelle Gonçalves de Pinho, que foi uma das alunas da última edição, conta por que decidiu fazer o curso. “Quero estar apta a atuar em Operações de Paz e Humanitárias, situações em que as pessoas realmente precisam de nós e, com isso, minha atuação será sempre muito gratificante”, reforçou ela.

De acordo com o Capitão de Mar e Guerra Ricciardi, “ao concluírem essa etapa, os militares estarão capacitados para integrar o apoio de saúde para contingentes em Operações de Paz até o nível II de evacuação, bem como atuar em situações inesperadas de apoio aos desastres naturais ou antropogênicos”. Um exemplo recente dessa atuação deu-se no início desse ano, com as fortes chuvas ocorridas na região de Petrópolis (RJ).

A ONU possui vários níveis de evacuação e cada estágio possui um determinado modelo de atendimento médico. No nível I, a capacidade diz respeito ao suporte básico de vida e a estabilização do paciente, com capacidade máxima para dois dias de internação e observação dos pacientes. Na Unidade Médica Nível II, cria-se a estrutura de um pequeno hospital, com capacidade cirúrgica, atendimento com especialidades médicas diversas e condições de internação por um período maior e com mais leitos disponíveis.

Fonte | Fotos: Agência Marinha de Notícias