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Força Aérea

“Passei um Carnaval em Veneza”, histórias do 1º GAvCa na Itália

Por   

FAB_AFA_01

Quando alguém ingressa na Força Aérea Brasileira, algumas coisas são certas: vai vestir a farda azul, vai se acostumar com o som das turbinas e vai cantar “Carnaval em Veneza”. Pode ser uma turma de aviadores, de soldados, de especialistas, tanto faz: tropa na FAB canta, em algum momento, “Carnaval em Veneza”.

Mas você sabe que música é essa e sobre o que ela trata? Cheio de curiosidades históricas e detalhes que levaram à criação da música, esse texto vai transportar você para o final da II Guerra Mundial. Desembarque agora na Itália dos nossos heróis Jambocks! Este foi só o começo de 70 anos de memória, tradição e desenvolvimento da Caça no Brasil!

FAB na Italia

Comecemos com o cenário: Veneza é uma cidade localizada na Itália, o mesmo país onde o Primeiro Grupo de Aviação de Caça da FAB combateu na Segunda Guerra Mundial. E, se desde o século XVI a cidade já era conhecida pelos seus bailes de máscaras de carnaval, em 1945 foi a vez dos militares brasileiros participarem: só que a “festa” foi cheia de bombas, voos rasantes, aeronaves em combate mergulhando e cuspindo fogo no inimigo.

No dia 7 de fevereiro de 1945, uma esquadrilha de quatro caças P-47D da FAB atacou uma ponte ferroviária na região de Veneza. No retorno, despertaram a ira da artilharia antiaérea nazista após destruírem uma bateria de canhões antiaéreos.

FAB na Italia.7

Mais tarde, na base localizada em Pisa – a cidade da famosa torre inclinada -, os aviadores brasileiros descansavam em um bar onde estavam tocando a canção italiana “Funiculi Funicula” (famosa até hoje). Felizes com o sucesso da missão, eles começaram a fazer uma paródia… …e, com lápis, papel e algumas cervejas, acabaram criando o hino da Aviação de Caça brasileira! Vamos conhecê-la?

carnaval em veneza (clique aqui para ouvir)

Passei o Carnaval em Veneza

Levando umas “bombinhas” daqui

Caprichei bem o meu mergulho

Foi do barulho, o alvo eu atingi

BINGO

A Turma de lá atirava

Atirava sem cessar

E o pobre “jambock” pulava

Pulava e gritava sem desanimar

Assim: Flak, Flak, este é de quarenta

Flak, Flak, tem ponto cinquenta

Um “Bug” aqui um “Bug” lá

Um “Bug” aqui um “Bug lá

SENTA A PÚA minha gente

Que ainda temos que estreifar

FAB na Italia.4

A letra é cheia de referências às missões realizadas na Itália. O “Flak” era o Apelido e iniciais da Flugzeug Abwehr Kanonenm a temida artilharia antiaérea nazista. Entre suas armas estavam canhões de 40mm (“este é de quarenta”) e de 12,5mm, ou 0,5 polegadas (“tem ponto cinquenta”).

FAB na Italia.5

Depois de atingir seus alvos principais e fugirem da “Flak”, os brasileiros voltavam para a base em busca de novos alvos, uma tarefa chamada de “estreifar”. Tem origem no verbo em inglês to strafe, que significa atacar com metralhadoras ou canhão, voando em baixa altitude.

FAB na Italia.3

“Senta a Púa” era (e ainda é) o grito de guerra do 1° Grupo de Caça. Era uma gíria da época, algo como “manda bala”. O livro “Senta a Púa”, de Rui Moreira Lima, foi traduzido para o inglês com o título “Hit’em Hard“. Já “Jambock” era (e ainda é!) o código-rádio do Primeiro Grupo de Aviação de Caça.

Era usado para identificar uma aeronave brasileira. Por exemplo, o então Tenente Rui Moreira Lima se identificava como “Jambock Green Two“. Qualquer um saberia que ele era a segunda aeronave da esquadrilha verde do 1° Grupo de Caça.

FAB na Italia.6

Naquela época, também voavam por ali esquadrões como o “Lifetime“, o “Minefield” e o “Midwood“, todos voavam juntos com os brasileiros. A torre de Pisa era chamada de “Black Ball” e o controle de radar sobre a cadeia de montanha dos Apeninos, no norte da Itália, era “Hubbard“.

Mas o que significa, afinal, a palavra “Jambock”?

Ela surgiu na Indonésia (!) para designar uma vara de madeira, chamada de Sambok. De lá, seguiu para a Malásia e em seguida para a África do Sul, ainda no século XIX, e passou a tradicionalmente ser feito com couro de rinoceronte.

FAB na Italia.8

O sul-africanos que falavam a língua afrikaan adotaram a palavra, mas modificando-a para “Sjambok”. Em outubro de 1944, quando 350° Grupo de Caça da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos recebeu o reforço do esquadrão brasileiro, criaram o código-rádio “Jambock”, sendo americanizado, sem o “S” original e com um “C” antes do “K”.

FAB na Italia.2

Já na reserva, o Major-Brigadeiro Rui Moreira Lima escreveu que o uso do nome “Jambock” foi uma grande ironia dos fatos. “O chicote utilizado pelos brancos contra os escravos africanos, indonésios e malaios passou a ser usado contra os ‘arianos puros’ de Adolf Hitler, manejados por brasileiros livres que foram à Itália defender a liberdade e a democracia”.

FONTE : Força Aérea Blog

Fonte | Fotos: operacional

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