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Marinha

Marinha do Brasil adquire o mais completo navio científico do país

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O Vital de Oliveira foi entregue à Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha brasileira em 23 de julho. É o navio tecnologicamente mais avançado da Marinha.  [Foto: MB/DHN]

Por Andréa Barretto

Robô submarino, rede de plâncton e scanner do fundo do mar são alguns dos equipamentos que fazem do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira a mais moderna embarcação científica brasileira. Entregue à Marinha em 23 de julho, o navio passará por sua última fase de teste e de treinamento da tripulação em agosto e setembro. Depois disso, estará pronto para realizar seu objetivo: o monitoramento e caracterização física, química, biológica, geológica e ambiental de áreas oceânicas estratégicas para a exploração de recursos naturais.

Essa coleta de dados marinhos será importante tanto para fins civis – como a busca por petróleo – quanto militares, “a exemplo da concepção de cartas náuticas mais completas, empregadas em benefício da segurança da navegação e do apoio às operações navais”, explica o Vice-Almirante Antonio Reginaldo Pontes Lima Junior, Diretor de Hidrografia e Navegação.

Testes de tecnologia sofisticada

Quatro aparelhos do Vital de Oliveira ainda não foram testados: o Veículo Operado Remotamente (ROV), um amostrador de fundo do mar, o perfilador contínuo de propagação da velocidade do som na água e o sistema de comunicação satélite. Todos serão verificados pela tripulação até o fim de setembro, em saída do navio pelo mar próximo ao Rio de Janeiro.

Há grande expectativa em relação ao teste do ROV, o robô submarino que atinge até 4 mil metros de profundidade. Ele possui câmera de vídeo, sonar e uma pinça, que dá maior precisão na coleta de materiais no solo marinho. No Vital de Oliveira há um laboratório dedicado exclusivamente ao robô. O espaço funciona como uma cabine de comando, de onde o submersível é controlado e onde se pode ver as imagens que ele captura, em tempo real.

Veículo Operado Remotamente, um robô submarino que navega submerso e alcança até 4.000 metros de profundidade. Este é um dos 28 equipamentos do navio Vital de Oliveira.  [Foto: MB/DHN]

O navio conta com mais dois laboratórios. Em linguagem técnica, o chamado laboratório seco abriga computadores e recursos de processamento de dados. Já o laboratório molhado, está equipado para análise das amostras da água do mar, do solo e do subsolo marinho.

Dinamização da capacidade científica da Marinha

O Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira é o nono dentro da frota da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha brasileira. Ele se destaca principalmente pelo tamanho – tem 78 metros de comprimento e capacidade para 90 tripulantes e 40 pesquisadores – e pelo número de equipamentos. A maioria dos navios têm entre quatro e nove aparelhos ou sistemas, enquanto o Vital de Oliveira tem 28.

Além disso, quase metade dos equipamentos da nova embarcação – como o robô submarino, o amostrador do fundo do mar, a rede de plânctons e os medidores de onda – são inéditos ou raros na frota científica da Marinha, pois não são utilizados na Diretoria de Hidrografia e Navegação de forma rotineira ou nunca estiveram disponíveis.

O amostrador do fundo do mar opera até 8 mil metros de profundidade, quatro mil metros a mais que o ROV, com o objetivo de coletar amostras. A diferença entre o amostrador e o robô submarino é que o primeiro é lançado ao mar e afunda diretamente na vertical, enquanto o segundo navega submerso no oceano. Mas o amostrador tem a vantagem de penetrar até 12 metros no subsolo marinho, capacidade que o torna importante na pesquisa de petróleo e de outros recursos minerais.

Já a rede de plâncton coleta fitoplânctons e zooplânctons, organismos analisados em pesquisas de oceanografia biológica e que auxiliam a identificar áreas mais ricas para a pesca. Os medidores de onda calculam altura, período e direção de ondas e serão usados para identificar o comportamento das águas. “Por exemplo, se houver um derramamento de óleo, nós poderemos entender melhor o comportamento do mar naquela área, qual a direção das ondas etc”, afirma o Vice-Almirante.

Side Scan, espécie de scanner que tem a capacidade de realizar o mapeamento em alta resolução do fundo do mar, com o navio em velocidade de até 30 km/h. [Foto: MB/DHN]

Impulso à economia

O Vice-Almirante Pontes Lima explica que, segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, todo Estado costeiro tem direitos sobre uma zona econômica exclusiva, que abrange a água, o solo e o subsolo marinho, até o limite de 200 milhas náuticas (equivalente a cerca de 370 quilômetros). Mas a convenção possibilita aos Estados a reivindicação da extensão da área de exploração do solo e do subsolo, desde que o país interessado comprove por meio de dados que sua plataforma continental se prolonga para além das 200 milhas.

“O que o país conseguir demonstrar fica sendo de soberania dele. As pesquisas realizadas pelo navio Vital de Oliveira contribuirão, sem dúvida, para ampliar a zona de soberania do Brasil no mar”, conclui. Em outubro, o Vital de Oliveira deve partir para sua primeira campanha científica, segundo o Vice-Almirante Pontes Lima. Os estudos priorizados ainda não foram definidos. A decisão será tomada por um comitê gestor do navio, responsável por elaborar um plano de trabalho para a embarcação.

O comitê será formado pelos quatro participantes do acordo que permitiu a aquisição do navio: Ministério da Defesa, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e as empresas Petrobras e Vale. O nome Vital de Oliveira, escolhido para batizar o navio científico, é uma homenagem ao Capitão-de-Fragata Manuel Antônio Vital de Oliveira, morto na Guerra do Paraguai, em 1867. Seus feitos na área hidrográfica foram reconhecidos com condecorações como a Ordem Nacional da Legião de Honra, pela França; a Ordem de Cristo, por Portugal; e a Ordem de São Maurício e São Lázaro, pela Itália.

Fonte | Fotos: dialogo

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